Muitos negócios
promissores não resistem à disputa familiar e sucumbem, destruindo a
empresa, o patrimônio e até a relação familiar.
Transferir o controle
de uma empresa tipicamente familiar pode ser o início de uma série de
conflitos e de decisões que vão interferir no desempenho futuro.
De acordo com o
Sebrae-SP 90% das empresas brasileiras instaladas em nosso país têm o
perfil de empresa familiar.
A sucessão empresarial
- empresa que passa de geração em geração em uma mesma família - deve
ser trabalhada desde cedo. Atualmente, de cada 100 empresas, apenas 33
passam da primeira para a segunda geração da família. Deste total,
somente 50% das empresas são passadas para a terceira geração.
Os processos de
sucessão familiar são bem mais fáceis de serem conduzidos quando existe
diálogo.
As famílias têm que
expor o repertório da empresa sobre a mesa, e não fingir que os
problemas não existem. Diálogo familiar é fundamental para a
continuidade do negócio.
Na primeira geração, a
empresa familiar é ágil, rápida, eficiente. Isso é relativamente fácil
de ser explicado porque o poder decisório normalmente está nas mãos, ou
melhor, na cabeça de uma única pessoa.
Já a transição do
negócio entre gerações, a mudança da estrutura societária e a falta de
profissionalização integram a lista de assuntos que tradicionalmente
geram os mais sérios conflitos entre familiares.
A sucessão empresarial
acontece no momento que um herdeiro assume a empresa. E, quando ele não
tem interesse em assumir esse papel, ele pode contratar um administrador
para cuidar dos negócios da família.
Existem ainda casos em
que o herdeiro não possui uma formação adequada ou não está devidamente
capacitado para assumir o negócio da família. Quando isso ocorre, a
melhor opção é contratar um administrador.
Novos donos
Os filhos, os genros,
as noras entram no negócio e se transformam nos "novos donos". O
problema é que eles entram na empresa como herdeiros, tomando posse da
herança que lhes coube. Raramente pensam que deviam entrar na empresa
como sucessores.
Ressalta-se ainda que
muitos negócios aparentemente promissores não resistem à disputa
familiar e sucumbem, destruindo a empresa, o patrimônio e, até mesmo, a
relação familiar.
É por isso que o
sucessor precisa se preocupar, de fato, com o seu preparo, para garantir
que sua gestão será inovadora, dinâmica e, portanto, profissional.
Para que essa
administração de sucesso ocorra, existem várias orientações que podem
ser seguidas. Por exemplo, que a sucessão empresarial não deve ser
forçada ou imposta pela família. Além disso, o herdeiro deve iniciar a
sua atividade profissional desde as funções básicas para ser promovido
aos poucos, devendo passar pelo maior número de departamentos possíveis
antes atingir um cargo de chefia.
É recomendável também
que trabalhe primeiro em outras empresas para obter noção de hierarquia
e responsabilidade e que faça um planejamento com a data que pretende
assumir a empresa. Uma conversa com o atual presidente da empresa para
descentralizar o poder de decisão também vai auxiliar. E a criação de um
plano estratégico focado no futuro da empresa é tão fundamental quanto o
aprendizado de que nunca se deve misturar o dinheiro pessoal com o da
empresa.
Não existe pecado em
uma empresa ser familiar, pois a gestão é que deve ser profissional.
Geralmente, os filhos não querem mudar o trabalho realizado pelos pais.
Porém, uma empresa não pode estagnar e necessita de estar constantemente
inovando.
É fundamental planejar
a sucessão empresarial, levando em conta a família, a propriedade e a
gestão do negócio. O planejamento deve ser elaborado com base no
diálogo, no envolvimento e no comprometimento de todos. E é preciso
ceder e ter humildade.
E para que a sucessão
transcorra dentro de uma normalidade, considera-se ainda essencial o
planejamento prévio. Essa questão deve ser tratada antecipadamente e de
preferência, enquanto o fundador ainda estiver vivo e atuante.
Definir espaços
Para evitar possíveis
conflitos familiares dentro da empresa, os herdeiros devem tomar algumas
atitudes como: obter um equilíbrio entre a expectativa do filho e a
experiência do pai; não transformar a empresa em um ambiente de
rivalidade; fazer um acordo societário definindo as responsabilidades e
o poder de decisão de cada sócio; definir o uso dos bens da empresa,
para que eles não sejam usados de forma pessoal; e o mais importante,
não transformar a empresa em um grande “cabide" de emprego”.
Em alguns casos os
filhos não querem trabalhar com seus pais por puro preconceito - por não
dar valor ao negócio da família - ou por não enxergar a rentabilidade da
empresa.
Essa visão pode ser
quebrada quando um herdeiro consegue trocar experiências com outra
empresa familiar ou procura um consultor para sucessão empresarial. O
objetivo do consultor é de conscientizar e instrumentalizar os donos de
empresas familiares, para a profissionalização da gestão e para a
elaboração de um projeto de sucessão.
Filho na sucessão familiar
Qual o papel do filho na sucessão
familiar?
Normalmente, os filhos preferem acreditar que a responsabilidade de
direcionar sua carreira profissional é da família. Ou seja, são os seus
pais que devem dizer o que ele deve fazer. O raciocínio é que, por serem
empresários bem sucedidos, seus pais é que tem condições para decidir o
melhor. E para cada caso, pode haver um motivo diferente.
Existem jovens que se sentem pressionados a não decepcionar os seus
pais. Essa insegurança é perigosa e, na maioria dos casos, não é
devidamente compreendida pelos pais. De um lado, o pai confia na
capacidade do filho e, por conta disso, concede liberdade para que ele
faça o que bem entender na empresa. De outro lado, o filho está
desesperado, pois tem noção que não tem preparo suficiente.
Acontece que ele não consegue falar isso aos seus pais. O jovem
profissional não quer entristecer os seus pais sendo um filho abaixo da
expectativa sonhada. Essa é uma situação que aflige muitos jovens com
uma intensidade maior do que se imagina. O detalhe interessante nessa
relação é que quanto mais os pais deixam o filho livre para decidir,
mais ele se sente pressionado. A dica para situações como essa pode ser
dividida em dois ângulos. Aos pais, recomenda-se que observem
atentamente se não projetam nos filhos as qualidades que admiram num
profissional. É necessário compreender as limitações de um sucessor,
deixando de exigir que ele seja melhor em tudo que seus pais não
conseguem ser. Já para os filhos a dica é em forma de pergunta: quem
garante que seus pais realmente vão se ofender ou entristecer ao ouvir a
verdade? Lembre-se: Se você quer ser um grande profissional, comece
falando a verdade para os seus clientes mais fiéis, que são os seus
pais.
Todo filho deve fazer carreira nas empresas da família?
Afirmo que um filho deve seguir carreira nas empresas da família somente
quando perceber que irá encontrar realização pessoal e profissional.
Para demonstrar o significado desta afirmação, costumo citar uma
situação vivida por um cliente. É a história de um empresário que sempre
sonhou em ver o seu filho assumindo os negócios da empresa. Acontece que
quanto mais incentivo recebia do pai, o filho achava que o seu futuro
era abrir um negócio próprio.
Um dia, cansado de insistir, o pai acabou cedendo aos pedidos do filho.
Entretanto, fez algo que considero um exemplo de inteligência e
perspicácia. Combinou com o filho que forneceria os recursos necessários
para que ele abrisse a própria empresa mediante uma única condição. Ele
deveria conseguir um emprego e trabalhar por, no mínimo seis meses, em
uma empresa do setor que a família atuava. Caso ele fosse despedido
antes disso, o prazo começaria a contar novamente.
O filho, considerando fácil o desafio, aceitou. No início, houve certo
problema para conseguir um emprego, pois os concorrentes diretos não o
aceitavam como funcionário. Para o filho isso não foi obstáculo.
Conseguiu o tal emprego em uma cidade de maior porte onde sua família
não era conhecida. Ao final de seis meses, o filho deixou o emprego e
veio conversar com o seu pai. Entretanto, a proposta agora era outra.
Ele queria assumir um cargo nos negócios da família.
Essa história justifica a dica. Um pai deve tomar o cuidado de não achar
que a teoria pode sobrepor a prática. É como a diferença de aprender a
dirigir um carro na teoria e depois ir para a prática. Da mesma forma,
no mundo empresarial, é preciso que um sucessor experimente o gosto
amargo da derrota para aprender a valorizar o sabor de cada vitória.
E quando pai e filho pensam de forma diferente sobre o futuro da
empresa?
O famoso choque de gerações é mais do que esperado em um processo de
sucessão em empresas familiares. Ele é benéfico e indispensável. Note
que a necessidade de acompanhar as mudanças é um forte requisito para a
sobrevivência de qualquer empresa no mundo atual. Sendo assim, um filho
que pensa diferente se torna um questionador importante das atitudes do
pai.
O que acontece é que a forma com que essas opiniões divergentes são
colocadas é que acaba causando muita confusão. A falta de cuidado ao
emitir uma opinião, devido principalmente à intimidade existente, é um
dos principais motivos para complicar um processo sucessório. Muitas
vezes, a falta de diálogo na vida pessoal acaba sendo decisiva no
ambiente profissional. É possível que você já tenha tido a oportunidade
de presenciar uma discussão entre pai e filho na empresa sobre questões
de comportamento familiar. Ou ainda, pai e filho reclamando de atitudes
e manias pessoais uns dos outros, misturando o passado com o presente.
Uma frase comum de muitos pais é: “Se você não tem responsabilidade
sequer para arrumar o seu quarto, como pretende conduzir os negócios da
empresa?”. Já do lado do filho, a reclamação tradicional do filho
costuma ser “Se você nunca acredita nas minhas idéias, porque vou querer
trabalhar aqui na empresa?”. Os pais devem se preparar para conduzir
corretamente a sucessão na empresa por conta de sua experiência e tempo
de vida. E ainda, não devem esquecer que seus filhos têm o direito de
ter opiniões diferentes da sua. Numa empresa, um pai exigir subordinação
e obediência do filho pode ser o maior inimigo de uma boa sucessão.
Lembre-se: um filho aprende com seu pai. Sejam coisas boas ou ruins.
Será que os pais sabem vender a empresa para o filho sucessor?
Muitos pais erram porque não sabem vender a empresa para seus filhos. Ao
mesmo tempo em que são hábeis em divulgar para o mercado todas as
qualidades de sua empresa, no ambiente familiar e principalmente para o
sucessor direto, adotam outra postura. Sempre que podem, passam a imagem
de sofrimento para conduzir os negócios da família. É uma espécie de
ritual de queixas e lamentos onde o objetivo é fazer com que os
familiares fiquem compadecidos.
É justamente nessa hora, em que o empresário sequer está pensando na
sucessão que os problemas estão sendo gerados. Em alguns casos, esses
comentários estão sendo feitos na presença dos filhos que ainda estão na
infância ou na adolescência. E o empresário acredita que os filhos não
estão preocupados com os negócios da família. Novo erro! As decisões da
fase adulta serão baseadas nas percepções e experiências vividas durante
toda a vida.
É preciso que os pais
entendam que é necessário “vender” a empresa para seus sucessores. Não
no sentido financeiro, mas no sentido ideológico. O filho precisa
enxergar a empresa da família como um local de realização e sucesso e
não de sofrimento e dor. Não se trata de ensinar a trabalhar, mas sim,
de construir uma imagem de atração no filho. E quanto mais cedo esse
processo de convencimento começar, maior será a chance de nascer no
filho uma verdadeira paixão pela empresa. A dica final para os pais é
para que tomem cuidado com o exagero. Assim como acontece no
relacionamento diário com clientes, uma boa venda é quando há o
encantamento do cliente sem que a realidade seja alterada ou falseada.
Com os filhos também é assim. Eles devem conhecer os problemas e, ao
mesmo tempo, perceber que há mais vantagens que desvantagens.
O Comportamento do Fundador e dos
Herdeiros da Empresa Familiar
Os fundadores de
empresas familiares são homens que constroem suas vidas a partir de
sacrifícios, insucessos, sucessos e muito trabalho. Têm seu valor
reconhecido através dos sentimentos que despertam, sejam de admiração ou
de inveja, ou no exemplo daquilo que fazem através da contribuição que
dão à sociedade. Representam a peça fundamental na fundação da empresa
familiar e dedicam a história de suas vidas para a concretização de seu
grande sonho. Por acreditarem na força de suas idéias, aplicam sua
capacidade de trabalho, de visão de oportunidades e de dedicação aos
negócios para vencerem dificuldades aparentemente insuperáveis, vencidas
pelo amor que possui ao seu empreendimento.
Por essa razão, o fundador é figura central na empresa familiar e
entender o seu universo é ponto fundamental para se lidar com os
insucessos de sua empresa. O interesse em desenvolver um empreendimento
familiar é conduzido por forças impulsionadoras, sejam por necessidades
econômicas, o desafio da conquista, ou a insatisfação com o momento
profissional. As motivações e os estilos de personalidades dos
fundadores desempenham uma especial importância na fundação das
empresas, onde há duas principais motivações:
- A primeira motivação é o desejo de auto-gerenciar-se ao invés de
sentir-se empregado;
- A segunda é encontrar uma oportunidade de mercado.
Como centralizador, sua visão gera prioridades e atividades, e seu
comportamento determina as decisões e os valores da empresa, requer
ações concretas com a finalidade de contratar membros da família,
prepará-los para cargos gerenciais, distribuir ações entre herdeiros, e
preparar a transição do controle gerencial dentro da família. Desejando
assim, com maior intensidade, que a empresa se torne familiar, devido à
ampliação da família.
Essa idéia, geralmente, intensifica-se quando os filhos crescem,
adequando às necessidades da empresa os interesses da qualificação e
acomodação dos filhos. Os herdeiros e herdeiras de empresas familiares
têm seu comportamento muito visado pelos próprios pais, pela família e
pela sociedade. Sobre os mesmos, deposita-se grande expectativa,
comparando-os com os próprios pais e esperando que, como filhos de
empresários, saibam continuar o império construído pelos progenitores.
No contexto destas expectativas, diversas vezes, os pais constroem a
empresa, mas equivocadamente, se esquecem de analisar um dos fatores
determinantes da continuidade do negócio familiar; a preparação dos
herdeiros para serem as novas lideranças. A competência e a dedicação
dos sucessores são fundamentais. Mas antes que, um herdeiro seja feito
sucessor, precisa ser feito um profissional e ter profundo amor pelo
negócio, papel que compete indiscutivelmente aos pais.
As famílias empresariais, diversas vezes, exigem que seus herdeiros
trabalhem nos negócios da família, não permitindo que sigam suas
verdadeiras vocações. Outros herdeiros deparam-se com pais autoritários,
fazendo com que os mesmos desenvolvam personalidades frágeis, sendo
incapazes de defender as próprias idéias. Em contra-partida, existem os
herdeiros que recorrem unicamente a esta alternativa de sobrevivência,
objetivando oportunidade e remuneração. Nesse caso, a família deve
avaliar se a oportunidade dada será correspondida, se o herdeiro está
disposto a preparar-se para contribuir com competência em alguma função
na empresa, ou apenas será nepotismo - uma contratação dispendiosa para
os cofres da empresa.
Além desses aspectos, cabe salientar que é um enorme desafio trabalhar
na empresa da família. Os conflitos entre pai-filho, as disputas de
autoridade vividos em fases anteriores da vida, podem permanecer no
ambiente de trabalho. Nem sempre é fácil para o filho herdeiro fazer
parte da empresa. De um lado, podem querer fazer parte da empresa,
sentem orgulho de ver o nome da família ligado a um empreendimento de
sucesso. De outro, sabem que se optarem por uma vida fora do negócio
familiar terão menos cobrança em relação ao seu desempenho, mas poderão
mais tarde ser cobrado justamente por não assumirem um papel que lhes
estava destinado.
Há quatro razões que influenciaram a ascensão das filhas mulheres nos
negócios familiares:
- A primeira razão é que a relação pai-filha é muito mais calma e
estável que a de pai-filho, e que os pais aceitam mais facilmente os
conselhos e críticas sobre negócios quando vindos de uma filha.
- A segunda, é que as filhas são criadas para dar apoio às necessidades
emocionais e são mais preocupadas em harmonizar a família, não tendo
como propósito único a carreira. Contudo, sobre essa temática há muitas
controvérsias.
- A tendência atual
é de que cada vez mais mulheres herdeiras ocupem seus postos no contexto
das empresas familiares, assumindo espaços de comando que antes eram
apenas reservados aos homens. A principal causa desta constatação, pode
ser de que as filhas herdeiras estão mais dispostas a aprender do que os
herdeiros, pois estão muito mais conscientizadas das necessidades de se
prepararem e são mais humildes para aprender
- Para Lodi (1998) os traços e os valores diferem o comportamento das
herdeiras que se destacam: apresentam mais claramente os valores da
família, trabalham duro, se comprometem com o sucesso do negócio, se
dispõem ao sacrifício em prol do cliente, têm a confiança dos
familiares, isso tudo vem a defender a ascensão da mulher e minimizar as
diferenças de gênero quando envolve família e trabalho. A partir destas
situações descritas, pode-se perceber que as mudanças são inevitáveis no
comportamento das empresas familiares.
Para o fundador, depois de dar vazão ao seu potencial natural, compete
fazer o que está a seu alcance para a concretização do processo
sucessório. Para tanto, os herdeiros passam a desenvolver suas carreiras
nas empresas, preparando-se assim, para a transmissão de poder.
A Carreira do Herdeiro
Não haverá transição satisfatória se os herdeiros não estiverem
preparados para os papéis que lhes couberem. Para isso, é fundamental o
investimento na sua formação, preparando-os para exercerem quaisquer dos
papéis possíveis: acionistas, conselheiros ou gestores. Herdar o
sobrenome da família, que por sua vez, dá nome à empresa familiar, não é
quesito suficiente para garantir que o futuro sucessor venha a exercer
com qualidade suas atribuições. Além de dar continuidade ao trabalho
árduo do fundador, o herdeiro que desempenhar o papel de sucessor deverá
assimilar novas técnicas para adaptar-se às mudanças de sua era. Não lhe
sendo suficiente apenas o conhecimento, mas habilidades para desenvolver
o carisma e preencher o papel de dirigente.
Para o desenvolvimento da carreira, Lodi (1978) e Garcia (2001)
aconselham que o herdeiro deva começar de baixo, porém deve planejar sua
ascendência circulando por diversas áreas da empresa para que possa
compreender o negócio como um todo e para que, quando estiver ocupando a
posição de comando, tenha um conhecimento mais amplo do negócio. As
famílias empresariais ou os próprios herdeiros podem buscar ajuda para o
processo de desenvolvimento da carreira do herdeiro, como "conselheiros"
ou "mentores", que além de ajudar a planejar a carreira profissional
torna-se um efetivo parceiro, sendo até um confidente.
Considerando a significativa importância do papel do mentor, no processo
de desenvolvimento de jovens talentos, suas principais características
são:
- Não devem ser
parentes ou chefes do sucessor;
- Devem entender os
valores da família e trabalhar dentro dos limites desses valores;
- Devem conhecer bem
o negócio, a família e o sucessor; devem ter visão estratégica e de
plano de carreira; e
- Devem considerar
os interesses do sucessor; sendo de confiabilidade para o fundador,
assim como, para o sucessor. Um dos equívocos mais comuns que têm sido
cometidos no preparo de herdeiros é fazê-los pensar que a única opção
vocacional que possuem é a empresa herdada.
Os herdeiros devem ter consciência que consangüinidade não garante
qualificação para o jogo de inteligência exigido para a liderança
empresarial. Não existe direito adquirido, o sucesso precisa ser
merecido diariamente.
Transformar alguém em um grande líder de uma empresa familiar exige uma
formação complexa, onde os conceitos não podem ser apenas ensinados, mas
vivenciados. O herdeiro deve compreender que nem sempre as melhores
soluções são as tomadas de forma interdependente. É necessário que
avalie conjuntamente os interesses pessoais, da família, dos acionistas,
da empresa, dos colaboradores, dos clientes e dos fornecedores. É
fundamental, que o herdeiro percorra seu caminho sempre com a intenção
de atingir dois resultados. O primeiro é dar continuidade do legado que
recebe. O segundo é alcançar a felicidade pessoal e a realização
profissional.
A Sucessão
O mais relevante entre os pontos negativos de uma empresa familiar: a
falta de planejamento para o processo sucessório. É necessário discutir
a sucessão entre as pessoas que buscam o poder dentro de suas empresas,
pois é um processo que precisa ser tratado com atenção para coordenar o
futuro da empresa. A falta desse planejamento serve como justificativa
para o fundador adiar e postergar o próprio processo de distanciar-se do
poder, assim, alega muitas vezes, não ter chegado o momento adequado
para "pensar" no processo sucessório.
A transição entre gerações envolve diversos ângulos – família,
propriedade e empresa – não sendo apenas uma questão de gestão. E por se
tratar de uma família empresarial, para viabilizar a continuidade desse
empreendimento, a transição familiar e a transição societária são tão ou
mais importantes que a transição da gestão.
Aconselha-se iniciar o quanto antes a sucessão, enquanto o fundador
estiver presente no negócio. Sugere que o sucedido teste a sucessão
enquanto estiver em pleno vigor físico, mental e detendo o controle
sobre o negócio. Gersick (1997, p. 201) acrescenta: "A sucessão não é
uma coisa, mas muitas. Não é um evento único que ocorre quando um velho
líder se aposenta e passa a tocha a um novo líder, mas um processo
movido por um ‘relógio’ de desenvolvimento - começando muito cedo nas
vidas de algumas famílias e continuando através do amadurecimento e
envelhecimento natural das gerações".
São identificados dois tipos de processo sucessório nas empresas
familiares:
- a sucessão
familiar; e
- a sucessão
profissional.
A sucessão familiar
exige que a análise para o processo sucessório seja real para não se
avaliar equivocadamente, afirmando que os herdeiros naturais são os
melhores dirigentes para a empresa. E na sucessão profissional, a
empresa familiar passa a ser administrada por profissionais contratados.
Para as famílias empresariais que se encontram no processo sucessório, o
conselho deriva circunstancialmente, por questões em torno da sucessão,
relacionadas à liderança da empresa no futuro, dissertam por tais
temáticas; a concentração de participação acionária na família, os
interesses de membros da família para vender suas partes, enfim,
discussões mais genéricas do futuro da família.
Deve-se salientar que muitas consultorias procuram transformar os
fundadores em conselheiros. De fato é importante para os empreendedores
compreender efetivamente o que irão deixar como legado aos herdeiros,
pois é missão do conselho administrar a transição, pulverizando os
interesses dos sócios de uma geração para a outra, educando-os para esta
nova relação.
O papel do Conselho neste caso é de supervisionar esses jovens, cuja
eventual falta de experiência será suprida pelos mais velhos. O autor
destaca que é necessário então disciplinar a entrada dos futuros
herdeiros na empresa e isto deve ser feito de forma organizada. Uma das
prioridades é evitar a preferência entre os filhos acionistas que têm
cargo na empresa, preterindo aos filhos daqueles parentes acionistas que
não estão trabalhando na empresa.
O
processo sucessório, não pode ser tratado sob os aspectos lógicos da
administração, pois envolve pontos afetivos e emocionais relacionados
com a estrutura familiar.
Quem são as empresas familiares?
É preciso lembrar
que, para uma empresa se tornar profissional, o primeiro passo não é
contratar administradores profissionais que não pertençam à família. O
fundamental é a atitude que a família assume diante da
profissionalização. Muitos executivos contratados por estas empresas
queixam-se de problemas como falta de clareza na orientação que a
família pretende imprimir à empresa e das dificuldades de conseguir
resultados onde há muitas situações questionáveis.
As empresas
familiares são a forma predominante de empresa em todo o mundo. Elas
ocupam uma parte tão grande da nossa paisagem econômica e social que nós
se quer nos damos conta. Nas economias capitalistas, a maioria das
empresas se inicia com as idéias, o empenho e o investimento de
indivíduos empreendedores e seus parentes. Casais juntam suas economias
e dirigem lojas em conjunto. Irmãos e irmãs aprendem o negócio dos pais
desde crianças, ficando atrás dos balcões ou na plataforma de carga
depois da escola. Fazer com que um empreendimento empresarial tenha
sucesso e depois passar de pais para filhos (e, recentemente, filhas)
não é apenas um sonho americano. O sucesso e a continuidade das empresas
familiares são o sonho dourado para grande parte da população do mundo.
Artigos sobre
empresas familiares fazem varias suposições a respeito do número de
empresas controladas por famílias, mas mesmo as estimativas mais
conservadoras colocam a proporção dessas empresas entre 65 e 80% do
total. É verdade que muitas delas são pequenas propriedades que nunca
irão crescer ou ser passadas de uma geração para outra. Mas também é
verdade que muitas dessas empresas estão entre as maiores e mais bem
sucedidas do mundo. Estima-se que 40% das quinhentas maiores empresas
listadas pela revista Fortune sejam de propriedade de famílias ou por
elas controladas. As empresas familiares geram metade do Produto
Nacional Bruto (PNB) dos Estados Unidos e empregam metade da força de
trabalho. Na Europa, elas dominam o segmento das pequenas e médias, e em
alguns países, chegam a compor a maioria das grandes empresas. Na Ásia,
a forma de controle familiar varia de acordo com as nações e culturas,
mas as empresas familiares ocupam posições dominantes em todas as
economias mais desenvolvidas, com exceção da China. Na América Latina,
grupos construídos e controlados por famílias constituem a principal
forma de propriedade privada na maioria dos setores industriais.
Para a maior
parte das pessoas, as duas coisas mais importantes em suas vidas são
suas famílias e seu trabalho. É fácil compreender o poder das
organizações que combinam ambas as coisas. Estar em uma empresa familiar
é algo que afeta todos os participantes. O papel de presidente do
conselho é diferente quando a empresa foi fundada pelo seu pai, e sua
mãe e seus irmãos participam das reuniões, assim como se sentam em torno
da mesa de jantar. O trabalho de um CEO - Chief Executive Officer é
diferente quando o vice-presidente, na porta ao lado, é também uma irmã
mais nova. O papel de sócio é diferente quando o outro sócio é um
cônjuge ou filho. O papel de representante de vendas é diferente quando
uma pessoa cobre o mesmo território que vinte anos atrás era coberto por
seu pai e vinte e cinco anos antes dele, por seu avô. Até mesmo passar
pela porta da empresa em seu primeiro dia de trabalho, seja numa linha
de montagem, ou no setor de faturamento, é diferente se o nome acima da
porta é o seu.
Esta diferença
não é apenas um sentimento. Ela está enraizada na realidade da empresa.
As empresas possuídas e administradas por famílias constituem, uma forma
organizacional peculiar, cujo "caráter especial" tem conseqüências
positivas e negativas. Elas extraem uma força especial da história, da
identidade e da linguagem comuns às famílias. Quando dirigentes-chave
são parentes, suas tradições, seus valores e suas prioridades brotam de
uma fonte comum. As comunicações, verbais ou não, podem ser grandemente
aceleradas nas famílias. Cônjuges e irmãos têm maior probabilidade de
entender as preferências explícitas e as forças e fraquezas ocultas uns
dos outros. Mais importante, o empenho, até mesmo a ponto do
auto-sacrifício, pode ser solicitado em nome do bem-estar geral e da
família.
Entretanto, esta
mesma intimidade também pode trabalhar contra o profissionalismo do
comportamento empresarial. Antigas histórias e dinâmicas familiares
podem se intrometer nos relacionamentos de negócios. Pode ser mais
difícil exercer autoridade com os parentes.
Os papéis na
família e na empresa podem tornar-se confusos. As pressões da empresa
podem sobrecarregar e destruir relacionamentos familiares. Quando
trabalhando mal, é possível criarem-se níveis de tensão, raiva, confusão
e desespero que podem destruir, de forma surpreendentemente rápida, boas
empresas e famílias sadias. Algumas tragédias familiares acompanhadas de
desastres nos negócios são de conhecimento público. A família Bingham em
Louisville, os Pulitzer e os Du Pont são leitura obrigatória.
Infelizmente, os
fracassos sensacionais às vezes obscurecem a beleza de empreendimentos
familiares bem-sucedidos. Quando trabalhando em harmonia, as famílias
podem trazer para a empresa níveis de comprometimento, investimento em
longo prazo, ação rápida e dedicação ansiada por empresas
não-familiares, mas raramente alcançados. As empresas familiares são
tremendamente complicadas, mas, ao mesmo tempo, decisivas para a saúde
da nossa economia e a satisfação de milhões de pessoas.
Entretanto, nem
sempre os profissionais estão preparados para lidar com a natureza
especial deste tipo de empresas familiares. A influência das famílias
sobre os negócios que elas possuem e dirigem muitas vezes é invisível
para os teóricos e escolas de administração. Os tópicos principais do
ensino de administração - comportamento organizacional, estratégia,
finanças, marketing, produção e contabilidade - são ensinados sem que se
diferenciem empresas familiares e não-familiares. Os modelos econômicos
subjacentes à maior parte da ciência da administração dependem da "intercambiabilidade"
dos responsáveis pelas decisões, portanto não faz diferença "quem" eles
são. Normalmente as publicações de negócios tratam o envolvimento da
família com a empresa como informação anedótica - pitoresco e
interessante, mas raramente importante.
EMPRESA FAMILIAR
- SUCESSÃO EM CONFLITO
A questão da
sucessão tem uma posição ambígua, pode dar às empresas uma nova
perspectiva de atuação, ou pode ser a sua destruição, aliada à falta de
profissionalismo.
A maior
preocupação das empresas familiares é a sua sobrevivência. A maioria
delas enfrentam problemas existenciais ou estratégicos, isto é,
dificuldades relacionadas à inadequação, tanto na utilização, quanto na
escolha dos recursos disponíveis para o alcance de vantagens de mercado.
A fase inicial, a
garra e a visão de mercado do fundador são os traços predominantes. O
perfil, os valores e as crenças do fundador são passadas à empresa e aos
funcionários, iniciando assim a formação da cultura organizacional.
As organizações
com base familiar apresentam vários problemas de gestão, que prejudicam
sua atuação num mercado competitivo. Tais problemas não são privilégios
de empresas familiares, pois outras organizações também os apresentam de
forma semelhante.
Para uma empresa
tornar-se profissional, o primeiro passo não é contratar administradores
profissionais que não pertençam à família. O fundamental é a atitude que
a família assume diante da profissionalização.
Para orientar a
empresa familiar, no sentido de minimizar estes problemas, dois tópicos
básicos de gestão são necessários:
□
Profissionalização;
□
Planejamento de sucessão familiar.
Profissionalização
é o instrumento que consegue diferenciar os interesses da família com os
da empresa, minimizando o conflito. Exemplo: separação de propriedades e
de posições hierárquicas. São estabelecidos critérios gerais, que irão
nortear as decisões e posturas dos administradores, como: contratação,
remuneração, tomada de decisões na promoção de funcionários.
Planejamento de
sucessão familiar
tem como ponto central a escolha do sucessor e deve ser orientado por
critérios claros que defendam os interesses da empresa.
Os pontos
críticos de uma sucessão são:
□
Treinamento;
□
Avaliação
na escolha dos sucessores;
□
Comparação
do perfil do sucedido com o do sucessor, em relação ao exigido pela
empresa;
□
Associação
do sucesso da empresa com a imagem do fundador.
As idéias
apresentadas não têm o objetivo de resolver problemas relativos às
empresas familiares, mas orientar o pensamento dos dirigentes, na
geração de programas, que visem aumentar longevidade da empresa,
integrada às expectativas da família.
CONCLUSÃO
Aliado ao fator
desenvolvimento local, entendemos a Empresa Familiar como fator
fundamental em termos de melhoria das condições da região, que existe e
continuará sempre existindo. O importante é pensarmos em como ajudá-las
a se tornarem mais fortes, saudáveis e geradoras de empregos.
Constatando que
grande parte das empresas familiares sofrem com as adversidades do meio
ambiente em que estão inseridas, estas empresas devem estar imbuídas em
efetuar um acompanhamento de sua gestão, otimizando o enfoque da
profissionalização e obtendo condições para que permaneçam em atividade
rentável.
As famílias
querem que todos os seus membros tenham conforto, amor e proteção,
especialmente seus filhos. Porém, muitas delas temem que a realização de
uma dessas metas venha em detrimento da outra. Elas se preocupam com a
possibilidade de que conflitos familiares, indiferença ou falta de
profissionalismo, possam prejudicar a capacidade de prosperidade da
empresa, destruindo o suporte financeiro para a família e corroendo o
legado e a instituição que se esforçaram tanto para construir. Ao mesmo
tempo, elas temem que a pressão da empresa crie tensão, ciúme ou
ressentimentos, tornando seu sucesso sem significado. Por detrás de
todos os problemas que as empresas familiares criam para os
profissionais - planejamento sucessório, relacionamentos dentro da mesma
geração e entre gerações, dilemas de controle, dividendos e herança,
planejamento de carreiras - existe um desejo comum: o de que a empresa e
a família se sustentem mutuamente e não se destruam, capitalizando as
forças, uma da outra, e tendo juntas mais sucesso do que teriam
sozinhas.
Por outro lado, o
modelo se baseia em poucas idéias simples a respeito de sistemas e
desenvolvimento. Podemos resumir seus conceitos centrais como duas
lições da experiência, as quais aprendem com as próprias empresas
familiares, tanto com aquelas que estão se aproximando de suas metas
como com outras que estão lutando para superar seus temores.
Sobe