Inicial | Empresa | Artigos | Livros | Cursos e Treinamentos | Apresentações e Vídeos | Consultoria | Clientes | Fale Conosco | Mídia

Organizacional

 
Comunicação eficaz nas organizações
Comunicação Interna
Trabalho em Equipe: essencial para todas as empresas
Administração do Tempo
Atendimento a Clientes
Consultoria em Sucessão Familiar
Diálogo na Sucessão Familiar
Filhos na Sucessão Familiar
O Comportamento do Fundador e dos Herdeiros da Empresa Familiar
Quem São as Empresas Familiares

 

Comunicação Eficaz nas Organizações

 

1  INTRODUÇÃO

Poucos mecanismos eficazes de comunicação são aplicados atualmente nas organizações. Na realidade, a ênfase maior está na metodologia de trabalho, nos fluxogramas, relatórios e processos.

 

2  DIFERENÇA ENTRE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

2.1  Informação

Emissor envia a mensagem (conjunto de dados com a intenção de eliminar uma séria de incertezas) para o Receptor.

Comunicação

Emissor envia a mensagem para o Receptor, no entanto esta mensagem deve ser entendida, decodificada e retornada ao Emissor através do FEEDBACK (compreensão da mensagem que foi transmitida).

Obs: um dos grandes problemas de comunicação nas organizações está relacionado com o FEEDBACK mal feito.

 

3  TIPOS DE COMUNICAÇÃO

Interpessoal: Uma pessoa se comunica com outras pessoas. Quanto mais pessoas envolvidas neste tipo de comunicação, maiores chances de ocorrer problemas de comunicação.


Interfuncional: Uma Área da empresa se relaciona com outras áreas da própria empresa. A comunicação pode ser verbal, escrita, telefônica ou por e-mail.

Corporativa: A empresa se relaciona internamente com seus funcionários ou com outras empresas. Ex1: Comunicado oficial do Presidente da empresa para todos os empregados internos. Ex2: Empresa ABC S/A envia correspondência para o Jornal A GAZETA (uma falha na comunicação corporativa pode afetar bastante a imagem da empresa que emitiu a mensagem).


Informal: Quando os canais formais de comunicação da empresa funcionam precariamente (jornal interno, intranet, quadro de avisos, etc.). Também conhecida como “rádio corredor”, pois ela é sempre veloz, porém, normalmente, é imprecisa. Funcionários começam a gerar a informação informalmente através de boatos e fofocas.

 Sobe 

4  EFEITOS DA COMUNICAÇÃO VERBAL

Palavra = 7%, Tom de Voz = 38% e Postura corporal = 55% (gesto, olhar)

 

5  GAPS NA COMUNICAÇÃO

São ruídos ou mal entendidos que podem levar a empresa a sérios prejuízos.

 

5.1  Causas
                       
Ambiente adverso: Local com muito barulho, tumultuado e com trânsito de pessoas.

 

Momento impróprio: Uma pessoa está atendendo ao telefone e outro funcionário entra na sala e dá um recado.

 

Linguagem inadequada: Falar muito termo técnico e palavras estrangeiras para público leigo.

 

Exposição descuidada ou exagerada: O emissor fica distraído enquanto transmite a mensagem; transmitir a mensagem com muitos rodeios e perdendo o foco principal.

 

Incoerência da mensagem: Mensagem de otimismo está sendo transmita por pessoa desmotivada e triste. Os receptores vão ficar desconfiados.

 

Conotação preconceituosa: Ex: quando um instrutor diz para os estagiários no primeiro dia de treinamento – “vou explicar para vocês bem devagar para entenderem direitinho!”. Na verdade, não se deve julgar superior em relação ao receptor da mensagem principalmente se forem de escolaridade inferior.

 

Choque de personalidades e Cultura diferenciada: O emissor deve tomar cuidado com palavras e termos que não são entendidos ou possuem outra interpretação em outras regiões do próprio país.

 Sobe 

6  CONCLUSÃO

Nunca é demais perguntar: “entendeu ?” ou “existe alguma dúvida?”

Anotar os pontos importantes da mensagem verbal é fundamental.

Observar as reações ro receptor ao longo da transmissão da mensagem.

Mensagens escritas precisam de cuidados redobrados, pois o receptor não vai tirar dúvidas com o emissor.

Ter empatia na comunicação, ou seja, o que pode parecer simples para o emissor da mensagem pode ser muito complicado para o receptor.

 

Comunicação Interna
Entende-se por Comunicação Interna o esforço de comunicação desenvolvido por uma empresa, órgão ou entidade para estabelecer canais que possibilitem o relacionamento, ágil e transparente, da direção com o público interno (na verdade, sabe-se que há   vários públicos internos em uma organização) e entre os próprios  elementos que integram este público. Deve ficar claro, portanto, que a Comunicação Interna não se restringe à chamada comunicação descendente, aquela que flui da direção para os empregados, mas inclui, obrigatoriamente, a comunicação horizontal (entre os segmentos deste "público interno”) e a comunicação ascendente, que estabelece o feed-back e instaura uma efetiva comunicação.


Nas organizações em que se pratica apenas a comunicação descendente, talvez nem seja apropriado mesmo falar-se em comunicação, porque, como um processo, ela precisa realizar-se nos dois sentidos. Tradicionalmente, a comunicação interna tem sido relegada a um segundo plano no planejamento de comunicação das empresas, órgãos ou entidades, certamente porque falta aos empresários e executivos a consciência de que a comunicação (na verdade, a boa comunicação - transparente, ágil, democrática e participativa) é vital para o desenvolvimento e a sobrevivência das organizações.


É um equívoco imaginar que a comunicação interna se restringe à circulação periódica de um jornal para os funcionários, mesmo porque os jornais empresariais, com raras exceções, têm uma pauta acentuadamente burocrática e não incluem, necessariamente, os empregados como sujeitos ativos do seu processo de produção.


Nos últimos anos, em função do esforço para aumento da produtividade e da qualidade, a comunicação interna tem sido mais valorizada nas empresas, mas é preciso ainda derrubar uma série de tabus e, sobretudo, democratizar a estrutura formal das organizações, que se caracterizam (evidentemente, há poucas e boas exceções) por uma hierarquia rígida e autoritária.

 

A Comunicação Interna reforça a instrução profissional, auxilia a performance da área de Recursos Humanos, serve como ferramenta de endomarketing, além de desenvolver talentos e fortalecer o vínculo do colaborador com a empresa. Um programa consistente de comunicação evita desvios de informação, cria uma cadeia de responsabilidades e capacita o colaborador como um multiplicador consciente dos princípios e dos objetivos da empresa. Ele é essencial para as empresas desenvolverem suas ações de responsabilidade social.

 Sobe 

Um ambiente interno com qualidade é um processo no qual se valoriza: confiança, competência, comprometimento e credibilidade.

Segundo a pesquisa da Revista Exame – Melhores Empresas para se trabalhar, aponta organizações que têm os funcionários mais felizes, satisfeitos e, muito provavelmente, mais produtivos do país. O que mais vale para estes funcionários é um sentimento de orgulho pela empresa, credibilidade dos líderes, nível de informação sobre os rumos do negócio e tratamento com justiça. Fatores que, se observarmos, parecem simples de serem trabalhados. Mas o que podemos efetivamente realizar para esta conquista?

 

Trabalho em Equipe: essencial para todas as empresas

Não se sabe quando surgiu a idéia de reunir indivíduos em grupos em prol de um objetivo comum, mas sabe-se que esta concepção de equipe existe há muito tempo, desde que se começou a pensar no processo do trabalho. A idéia da equipe advém:

 

Da necessidade histórica do homem de somar esforços para alcançar objetivos que, isoladamente, não seriam alcançados ou seriam de forma mais trabalhosa ou inadequada;

 

Da imposição que o desenvolvimento e a complexidade do mundo moderno têm imposto ao processo de produção, gerando relações de dependência ou complementaridade de conhecimentos e habilidades para o alcance dos objetivos.

 

O trabalho em equipe, portanto, pode ser entendido como uma estratégia, concebida pelo homem, para melhorar a efetividade do trabalho e elevar o grau de satisfação do trabalhador.


Mas, antes de discutir as questões que envolvem o trabalho em equipe e a importância do mesmo para o sucesso da organização, é preciso diferenciar o grupo da equipe. São duas coisas diferentes, toda equipe é um grupo, porém, nem todo grupo é uma equipe.


Grupo é um conjunto de pessoas com objetivos comuns, em geral se reúnem por afinidades. O respeito e os benefícios psicológicos que os membros encontram, em geral, produzem resultados de aceitáveis a bons. No entanto este grupo não é uma equipe.


Equipe é um conjunto de pessoas com objetivos comuns atuando no cumprimento de metas específicas. A formação da equipe deve considerar as competências individuais necessárias para o desenvolvimento das atividades e atingimento das metas. O respeito aos princípios da equipe, a interação entre seus membros e especialmente o reconhecimento da interdependência entre seus membros no atingimento dos resultados da equipe, deve favorecer ainda os resultados das outras equipes e da organização como um todo. É isso que torna o trabalho desse grupo um verdadeiro trabalho em equipe.


Para exemplificar essa diferença: Grupo são todas as pessoas que vão ao cinema para assistir ao mesmo filme. Elas não se conhecem, não interagem entre si, mas o objetivo é o mesmo: assistir ao filme. Já equipe pode ser o elenco do filme: todos trabalham juntos para atingir uma meta específica, que é fazer um bom trabalho, um bom filme.


Fazer com que todas as pessoas da organização caminhem na mesma direção não é tão difícil quanto parece. É necessário muita estratégia, objetivos definidos, comunicação eficaz, feedbacks constantes e lideranças compartilhadas. Este é o ideal de toda equipe e caracteriza a equipe de alta performance, onde todas as potencialidades são usadas da melhor forma.


Infelizmente, muitas empresas amargam casos de insucesso com suas equipes de trabalho. Os objetivos finais não são alcançados, todos se sentem entediados e, no fim, contribuem pouco para a organização. Segundo pesquisas da empresa de consultoria em recursos humanos Hay, somente 25% das experiências com trabalho em equipe são bem sucedidas, e mais, quando dão certo, os resultados tendem a desaparecer rapidamente. Então, qual será a justificativa para este quadro conflitante?


Talvez o fato de, não raras vezes, valorizarmos técnicas de trabalho em equipes aclamadas em outros países, esquecendo de avaliar sobre como adaptá-las para nossa cultura regional, nosso jeito de ser e de viver, nossos valores e crenças. Precisamos aprender a trabalhar em equipe, maximizar o potencial de cada pessoa, aprender a viver com diferenças e extrair o melhor da diversidade que existe dentro de cada organização. É preciso entender que trabalhando em equipe temos mais chances reais de superar nossos limites.


Segue abaixo algumas dicas do que precisa ser feito para ter uma equipe eficaz:

 

Defina claramente a missão, os valores da empresa, as metas e objetivos da equipe. Todos têm que saber qual o objetivo do trabalho, para que o esforço seja feito na mesma direção. Cada pessoa tem que estar ligada ao significado maior do trabalho, que é o objetivo que foi definido, e ver o mesmo como um desafio. A comunicação clara é fundamental para alcançar esse objetivo. Melhor errar pelo excesso de comunicação, jamais pela falta.

 

Respeite a individualidade e estimule a diversidade da equipe. Equipes são formadas de pessoas, que têm histórias de vida, conhecimentos e experiências bem diferentes. É papel do líder aceitar e estimular as diferenças, fazendo com que cada um dê o seu melhor. No time de futebol, por exemplo, cada jogador tem um talento que o difere dos demais: assim deve ser na equipe de trabalho, sempre todos tendo como alvo o mesmo gol.

 

Estabeleça os papéis. Se os integrantes da equipe não sabem qual a função ou papel a desempenhar, dificilmente vão poder atingir o objetivo comum. Pode ser necessário treinar as pessoas; é papel do líder identificar se existe ou não a necessidade de treinamento.

 

Motive e reconheça os talentos. Com o tempo, é natural que a equipe perca o entusiasmo do começo. É preciso evitar que uns poucos trabalhem e todos os outros fiquem olhando (como acontecia nos trabalhos do tempo do colégio). É fundamental saber o que cada membro está fazendo de valor e reconhecer a performance de cada integrante. Não permita, no entanto, que alguém solte a máxima: “Eu já fiz a minha parte”.

 

Aprenda a lidar com o conflito. Em um grupo, é inevitável que haja choque de opiniões, personalidades e estilos. O desafio é saber valorizar a diferença e tornar os inevitáveis conflitos um bom motivo para crescer e superar as adversidades. Lembre-se: Cooperar é diferente de competir.

 

Avalie e monitore. O monitoramento do trabalho e dos resultados é fundamental para que cada integrante saiba como está o seu desempenho, em que e como pode melhorar. Informações incompletas podem acabar com o trabalho de qualquer equipe.

 Sobe 

Vantagens do trabalho em equipe
Compare o membro de uma equipe e o indivíduo isoladamente – qual deles você veria com mais freqüência em seu relatório de desempenho?


São notórios os benefícios que uma equipe bem afinada pode trazer para a organização. Primeiro, porque uma equipe é formada de pessoas, que trazem consigo histórias de vida e competências diferentes, mas que se relacionam. Um é bom em analisar relatórios, outro fala muito bem em público, e o terceiro tem uma boa capacidade para detectar e resolver problemas. Estas são algumas características que, somadas, podem formar uma equipe coesa e eficiente.


A interação entre os pares e o potencial de cada indivíduo ficam ainda maiores quando utilizados em uma equipe. No time, todos são responsáveis mutuamente pelo resultado, diferente de quando se trabalha sozinho. Com o excesso de problemas e a necessidade de responder rápido em várias frentes que as empresas têm hoje, tornou-se quase impossível trabalhar de forma isolada, no esquema cada um por si.

 

As diferenças entre as mentalidades

Fatores

Ênfase em "você"

Ênfase em "nós"

Estrutura

Trabalho individual centralizado nos departamentos

Trabalho por processos realizado por times semi-autônomos

Hierarquia

Rígida, com muitos níveis

Poucos níveis para facilitar a comunicação e agilizar a tomada de decisões

Carreira

Baseada em cargos e em tempo de serviço

O funcionário ganha projeção à medida que adquire mais habilidades

Execução de projetos

Uma área ou pessoa é eleita para levar adiante um projeto

As equipes multidisciplinares, formadas por pessoas de diversos setores, assumem o projeto

Tomada de decisão

Todas as decisões operacionais são de responsabilidade do supervisor

As decisões sobre detalhes do dia-a-dia do funcionário são tomadas por ele mesmo. A autonomia acelera os processos e aumenta a produtividade

Remuneração fixa

Baseada em cargos, tempo de serviço e formação

Baseada nas habilidades que agregam valor aos produtos da empresa

Remuneração variável

Não há participação nos resultados

Participação nos resultados proporcional às metas alcançadas variável pelo time ou ao cumprimento de projetos individuais

Comunicação

A comunicação é truncada, pois há dificuldade de transmissão das informações entre os departamentos
Crença de que a competição interna gera lucros para a empresa

Estímulo à comunicação aberta entre todos os níveis. A internet tem sido o veículo mais utilizado e as reuniões viraram hábito diário

Competição

Crença de que a competição interna gera lucros para a empresa

Diminuição da competitividade. As promoções são baseadas nas habilidades adquiridas e, muitas vezes, só acontecem com o consentimento do grupo.

 Sobe 

Administração do Tempo


O Tempo é um dos poucos recursos não recicláveis que temos. O Tempo não volta, portanto é importantíssimo que você saiba administrar o seu tempo, a ponto que possa usá-lo como um aliado e não como inimigo.


Afinal, administrar o tempo é dinheiro e qualidade de vida. Quem vive repetindo frases como "não dá tempo" e "que bom seria se o dia tivesse 30 horas" pode aprender a organizar melhor as tarefas do dia-a-dia e medir os resultados no caixa da empresa ou nas horas de lazer conseguidas com a empreitada.


Podemos perceber que uma pessoa não sabe administrar o seu tempo quando ela costuma levar trabalho para casa, reclama bastante, não sai com a família, não se dedica aos amigos, etc. Todas as atividades fora do trabalho, o convívio com a família, um passeio, entre outras coisas são muito importantes, nos proporcionam bem-estar e conseqüentemente nos tornam mais produtivos.


A boa administração do tempo contribui para a diminuição do estresse, melhora o bem-estar e a qualidade de vida.


O que você acha de ter mais tempo para descansar, namorar, ler um livro ou simplesmente ficar com a família e os amigos?


Engana-se quem respondeu que isto é impossível. Tema de debates em toda parte, a administração do tempo no trabalho vem ganhando espaço e se impõe como prática perfeitamente viável, que dá ao profissional mais tempo livre e vida mais tranqüila.


Aprenda a administrar o seu tempo e tenha a oportunidade de organizar melhor a sua vida pessoal e profissional, tornando-se competitivo e de alta performance.

 

Atendimento a Clientes

 

Introdução
Nos dias de hoje o mercado é bastante competitivo e as empresas precisam ser muito criativas para ter a preferência dos clientes. Um dos aspectos mais importantes, principalmente nas empresas que atuam no varejo, é a questão do atendimento a clientes. Portanto, nosso objetivo de apresentar conceitos sobre atendimento a clientes no varejo, procurando esclarecer sobre detalhes que fazem a diferença e muitas vezes podem significar o sucesso ou o fracasso do negócio.

 Sobe 

A importância do atendimento a clientes
Inicialmente vamos entender por que atender bem os clientes é tão importante. Quando um cliente sai de casa para comprar algo, espera receber o melhor pelo dinheiro que irá gastar. Isso significa que estará analisando o mercado com bastante atenção, procurando identificar e escolher a empresa que oferecer as melhores condições para a realização do negócio. Para ilustrar esse processo, vamos acompanhar dona Silvia na compra de um livro.

 

Ela sai de casa de carro em direção ao centro da cidade, procurando uma livraria. Passa na frente de várias, mas por causa do horário não consegue estacionar seu veículo. Um pouco nervosa, desiste daquela região e vai até outra mais distante, pois sabe que lá não terá problemas de estacionamento.


Após parar seu carro, entra na loja e percebe um agradável ambiente, composto por uma decoração leve, iluminação, climatização e, principalmente, o sorriso de atenção de um atendente chamado João, que, vindo em sua direção, se coloca à disposição para auxiliá-la.
Apaixonada por livros, dona Silvia faz várias perguntas sobre um determinado autor, e o atendente, demonstrando pleno conhecimento dos produtos, explica com detalhes os aspectos das obras disponíveis daquele autor.


Durante a conversa, procura compreender algumas características da cliente. Itens simples como, por exemplo, outros autores pelos quais dona Silvia se interessa, por que ela gosta daquelas obras, quando normalmente lê os livros e outras questões relacionadas ao assunto.


O que João está fazendo é escutando o cliente, para aprender sobre suas necessidades. Dessa forma, poderá comunicar-se melhor com dona Silvia, ampliar suas sugestões e efetivamente garantir que o produto atenda às suas necessidades.


Muito contente com as explicações, dona Silvia não só fica com o livro que a motivou ir às compras como também com um outro título que despertou sua atenção durante a conversa com o atendente.


Em seguida, dirigindo-se ao caixa para efetuar o pagamento, João a acompanha e apresenta a ela a possibilidade de associar-se ao clube de leitores da livraria. Como sócia ela terá vários benefícios, receberá informações sobre lançamentos e poderá participar de eventos e promoções da loja.


Dona Silvia se interessa pela proposta e preenche uma ficha de inscrição do clube. Nessa ficha, insere várias informações, como, por exemplo, quem são as pessoas de sua família, faixas etárias, hábitos, interesses, hobbies etc.


Após o preenchimento, feito em uma mesinha especialmente destinada para esse fim, ela vai ao caixa e percebe que a livraria oferece várias opções de pagamento: cartões de crédito, cheque e também dinheiro. Realizado o pagamento, a cliente é acompanhada pelo atendente até a saída, que agradece sua visita e se despede.


Durante o trajeto de volta para casa, ela pensa no excelente negócio que fez, apesar de ter tido que andar um pouco mais. “Puxa vida, encontrei o que eu precisava, fui muito bem atendida e agora estou participando de um clube de leitores! Além disso pude pagar da melhor maneira.


Nossa! Nem pensei em pedir aquele descontinho como normalmente faço em todas as lojas. Mas isso não importa, estou contente e fiz um bom negócio...”, pensou dona Silvia, já imaginando os momentos de leitura de seu autor preferido.


À noite, em uma festa de aniversário, ela comentou com vários amigos sobre a livraria, criando uma imagem positiva da empresa e com certeza influenciando na decisão futura de compra de outras pessoas.

 Sobe 

Analisando a excelência de um atendimento
Vamos agora destacar alguns pontos importantes sobre atendimento a clientes que essa loja realizou. Tudo começou muito antes da compra de dona Francisca, quando sua localização foi definida a partir da compreensão do perfil dos clientes que seriam atendidos.

 

Como havia grande possibilidade de eles terem carros, optou-se por um local um pouco mais distante, mas com fácil estacionamento. Sabia-se também que o cliente de uma livraria aprecia um ambiente propício para a escolha dos livros e, dessa maneira, foi criado um local bem decorado e agradável, com a sinalização necessária.

 

O empresário também sabia que os clientes têm vários tipos de personalidade e treinou a equipe de atendimento para proceder de acordo com essas variações. Um cliente comunicativo significava que o atendente poderia buscar uma aproximação dialogada com maior intensidade. Já no caso de um cliente introspectivo o atendente simplesmente se colocaria à disposição para orientações caso solicitado.

 

Além disso, em vários momentos do dia-a-dia, o próprio empresário procura estar na loja em contato com sua equipe e com os clientes, percebendo virtudes e necessidades de melhoria em vários aspectos do negócio. As questões percebidas são tratadas em reuniões semanais.

 

Tudo isso porque o empresário dessa livraria tem a consciência de que um atendimento de excelência geralmente tem início nos exemplos, na atenção e nas atitudes das pessoas que dirigem a empresa, especialmente no que diz respeito à criação de um ambiente interno motivador e de satisfação.

 

Assim, no caso de dona Silvia, o atendente percebeu de imediato algumas de suas características de interesse e de seu perfil e assim pôde aproximar-se e conversar um pouco sobre seu autor preferido. Note que para fazer isso o próprio atendente precisou conhecer anteriormente os produtos da livraria, para prestar um excelente serviço de informações.

 

Sua afinidade com livros foi identificada no processo de seleção, e essa foi uma das principais razões de ter sido contratado.

 

Perceba como essa seqüência de fatores contribuiu para a excelência no atendimento de dona Silvia. Esse efeito de encantamento foi imediatamente transformado em satisfação e em negócios, pois a cliente acabou comprando dois livros.

 

Mas a coisa não pára por aí. A empresa, ciente da importância de conhecer cada vez mais as necessidades dos clientes, criou um dispositivo chamado clube de leitores e convidou dona Silvia para participar. Quando ela preencheu ficha de inscrição, estava transferindo preciosas informações para a empresa, que as utilizará para fazer relacionamento e assim tornar-se a referência entre as livrarias da cidade. Ou seja, sempre que precisarem de uma livraria, clientes satisfeitos estarão associando imediatamente sua necessidade com a imagem da empresa.

 

E, o que é melhor, comentando com outras pessoas.

 

Portanto, dona Silvia irá receber notícias da livraria através de mala direta e também informações via internet ou por telefone, podendo participar de campanhas promocionais e recebendo incentivos para novas compras. Imagine quantos negócios essa empresa poderá fazer nos próximos dez anos somente com a família dessa cliente.

Completando o processo de atendimento, a empresa ofereceu várias formas de pagamento a dona Silvia. Podemos dizer que essa livraria está atuando de uma forma muito competente na sua relação com o cliente, pois, de várias maneiras, ela procura entender as necessidades dele, direcionando seus processos para oferecer soluções. Tudo isso de um jeito agradavelmente interessante.

 Sobe 

Os aspectos essenciais
Cada empresa tem suas características específicas e, com certeza, seus processos de atendimento irão refletir essas diferenças. No entanto, existem alguns aspectos essen-ciais que, mesmo sendo tratados de maneiras diferentes, devem ser compreendidos e colocados em prática da forma mais adequada ao negócio. São eles: a compreensão das necessidades dos clientes, a comunicação durante o atendimento, a percepção, a empatia e o treinamento. Vamos agora detalhar cada um desses aspectos:

 

- A compreensão das necessidades dos clientes
Compreender o cliente significa entender suas necessidades e as formas como ele se relaciona com o mundo. Para isso, as empresas devem obter informações preciosas de diversos tipos, como vontades, hábitos, possibilidades e, principalmente, expectativas do cliente em relação ao produto/serviço oferecido.

 

Essas informações podem ser conseguidas de diversas maneiras: através de pesquisas formais, do contato diário, de literatura e também de informações disponíveis em entidades relacionadas ao setor, como associações, sindicatos etc., assim como na internet.

 

Dessa maneira, conhecer o cliente é a base de tudo, pois é a partir desse conhecimento
que a percepção de oportunidade se consolida e estratégias do negócio podem ser desenvolvidas. Ou seja, essas informações são tão importantes que influenciam a escolha de fornecedores, os tipos e as quantidades de produtos e serviços oferecidos, os canais de comunicação com o mercado, a formação do preço, as instalações da loja e muitos outros fatores.

 

Portanto, esta deve ser uma atividade incessante da empresa, envolvendo todos os empregados, especialmente a equipe de vendas. Mas não basta somente obter informações, é preciso refletir sobre elas para tomar decisões conscientes e coerentes com os aspectos percebidos.

 

Muitos exemplos podem ser citados, como o caso de uma lanchonete localizada próxima de várias empresas que não aceitava os chamados vales-alimentação, a principal moeda utilizada pelas pessoas que trabalhavam na região e que procuravam um local para almoçar. O resultado dessa política foi a perda de clientes, que somente retornaram após a mudança na forma de pagamento. Mas essa mudança só ocorreu vários meses depois, o que acarretou um período de prejuízos que poderia ter sido evitado.


Já um exemplo a ser seguido é o de um empresário que todos os dias ligava para quatro pessoas: um cliente atual, um ex-cliente, um potencial cliente e um fornecedor. Assim, ao final de um ano, teve contato direto com centenas de pessoas ligadas diretamente ao seu negócio, entendendo necessidades e identificando eventuais oportunidades e problemas.


Dessa forma pôde tomar decisões com maior chance de acertos.


Assim, se você está pensando em abrir um negócio ou já tem uma empresa estabelecida, deve procurar caminhos para compreender cada vez mais os seus clientes. Lembre-se que os desejos deles mudam muito rapidamente, o que faz com que essa atividade seja constante.

 Sobe 

- A comunicação no atendimento a clientes
A comunicação é um processo inerente ao ser humano. É através dela que o indivíduo ou grupo interage com outros indivíduos ou grupos, recebendo suas impressões sobre o que foi comunicado. É algo como um professor perguntar para sua sala se a matéria que acabou de ensinar foi compreendida.


Portanto, o processo de comunicação é composto de quatro elementos: emissor, receptor, mensagem e retorno, também conhecido como feed-back. Além disso, o processo de comunicação realiza-se por vários meios, principalmente através da fala, da escrita e da expressão corporal. Através desses meios os seres humanos interagem com o mundo.


É importante perceber que os meios de comunicação influenciam uns aos outros.


Assim, não basta simplesmente a comunicação verbal ocorrer, pois outros meios podem fazer com que a mensagem seja compreendida de forma diferente daquela que se deseja transmitir.


Você pode fazer um teste simples: experimente dizer a palavra sim e ao mesmo tempo balançar a cabeça para a esquerda e para a direita. Se você estiver se comunicando como neste exercício, a pessoa receptora ficará em dúvida a respeito do que você está querendo transmitir. Ela não irá saber se a mensagem significa sim ou não.


É também bastante conhecida aquela frase de um vendedor de geléias que, ao abordar seus clientes dizia, “Senhor, não quer nada hoje, não?”. Se observarmos a frase detalhadamente, iremos notar que existem três palavras negativas: a palavra “não”, citada duas vezes, e a palavra “nada”. Dessa forma, as palavras utilizadas na frase são contrárias à intenção da mensagem, o que facilita ao cliente a resposta “não, realmente não quero”.


Dessa forma, para que o processo de comunicação ocorra de forma perfeita, é preciso completa integração entre os vários meios de comunicação. Uma equipe de vendas deve saber muito bem esses princípios, no sentido de adotar os melhores meios para cada situação e assim poder se comunicar bem com seus clientes.


Outro fator importante é a maneira como o ser humano se apresenta ao mundo.
Assim, uma impecável apresentação, traduzida pela utilização de uniformes, crachás, cabelos penteados e barba aparada para os homens e maquiagem para mulheres, também influencia o processo de comunicação.


Portanto, comunicação é um assunto a ser tratado freqüentemente com a equipe de vendas e também com todos os empregados, ressaltando sempre que um bom negócio começa com uma boa comunicação.

 Sobe 

- A percepção e a empatia
Outros dois aspectos muito importantes na questão do atendimento ao cliente são a percepção e a empatia. De forma bastante simples podemos dizer que a percepção é a maneira como avaliamos uma pessoa, e a maneira adequada de tratar os clientes é deixar de lado as impressões pessoais e os preconceitos.


Caso isso não ocorra, é provável que uma pessoa seja julgada pela maneira como está vestida e assim caracterizada pelo atendente que a julgou, que decide que ela não é cliente para os produtos da loja. Com certeza esse julgamento inicial irá influenciar na comunicação que será realizada, muitas vezes prejudicando um excelente negócio.


Já a empatia é a capacidade de colocar-se no lugar da outra pessoa e de ver o mundo sob seu ponto de vista. Ao colocar-se nessa posição, passa a ser possível identificar vários fatores que podem ser considerados na realização de uma negociação positiva. Outro aspecto importante nessa questão da empatia é a capacidade de escutar.


Escutar significa prestar atenção ao que o outro diz, e não simplesmente ouvir. Se um atendente de uma loja não escuta o que o cliente diz, como poderá então captar as informações necessárias ao atendimento de suas necessidades? Esse fator é fundamental, principalmente nos atendimentos feitos pelo telefone.

 Sobe 

- O treinamento
Uma pessoa só se torna excelente profissional de vendas se conseguir combinar experiência e capacitação. Dessa maneira, é preciso debater a questão “atendimento” com muita freqüência, pois muitas vezes, mesmo inconscientemente, nos acostumamos com procedimentos que não são os mais adequados para atender aos clientes.


Falhas não podem ocorrer. Pode até ser o décimo cliente do dia para um atendente, mas para o cliente é a primeira experiência na loja e ela tem que ser perfeita. Isso significa preparo em vários fatores.


Assim, o treinamento para atendimento a clientes deve abordar aspectos de comunicação e também de produtos e serviços. Se a loja apresenta uma variedade de produtos que mudam com o passar do ano, como, por exemplo, uma loja de confecções, sempre que um novo produto estiver sendo incorporado ao estoque, essa informação deverá ser passada para toda a equipe de vendas. Isso pode ser realizado de forma oral ou por escrito, mas tem que ser feito. É inconcebível que nos dias competitivos de hoje alguém tente vender algo sem conhecer o que está comercializando. Pode parecer óbvio, mas essa é uma dificuldade presente em muitas empresas.


O importante é prestar ao cliente todas as informações necessárias para que a sua decisão de compra seja feita de forma consciente. Além de conhecer os produtos e serviços oferecidos, a equipe de vendas deve inteirar-se também das promoções existentes, das formas de divulgação adotadas pela empresa e das opções de negociação, sempre no sentido de oferecer o melhor negócio ao cliente que está sendo atendido naquele momento.


Lembre-se que o profissional de vendas contemporâneo não é um tirador de pedidos, não é alguém que está ali somente para pegar o produto na prateleira, mas sim uma pessoa importantíssima para auxiliar o cliente em sua decisão de compra e contribuir para sua satisfação.


Mas para que isso ocorra a empresa deve também desenvolver maneiras de estimular e motivar seus empregados. Assim, fatores como remuneração, premiação, incentivos, benefícios, reconhecimento e um ambiente de satisfação devem ser tratados com muita atenção e zelo, pois contribuem muito para o desempenho de todos, especialmente daqueles que têm contato com os clientes.

 Sobe 

Cuidados no atendimento
Como notamos durante a leitura deste Saiba Mais, o atendimento a clientes é fundamental para o sucesso de uma empresa. Podemos então listar algumas perguntas que devem receber a atenção dos dirigentes e também dos empregados, especialmente a equipe de vendas, para que o atendimento supere as expectativas dos clientes e seja excelente:


• As necessidades e os desejos dos clientes são claros para os integrantes da empresa?
• Quais são os processos de comunicação da loja com o cliente que permitem a compreensão desses desejos e necessidades? Com que freqüência são realizados?
• Os produtos e serviços oferecidos, bem como a estrutura da loja e as formas de pagamento, estão adequados aos clientes?
• A equipe de vendas conhece os produtos, serviços, promoções e propagandas em detalhes? E os outros empregados?
• A equipe de vendas recebe treinamento constante sobre novos produtos e serviços e técnicas de atendimento?
• Os empregados da empresa trocam informações entre si no sentido de melhorar cada vez mais o atendimento aos clientes?
• Os empregados estão satisfeitos em trabalhar na empresa?
• Existem procedimentos e atitudes que estimulam os empregados a ser excelentes (benefícios, incentivos, reconhecimento, remuneração etc.)?


Essas e outras questões devem ser objeto de freqüentes debates e aprendizado. As respostas a elas, obtidas pelo talento das pessoas segundo as características de cada negócio, significam passos decisivos para o aumento da competitividade empresarial, ampliando consideravelmente as chances de sucesso.

 

Sucessão familiar precisa de orientação

A transição segura para a geração seguinte necessita que o herdeiro adquira conhecimento.

É consenso que os empresários precisam deixar de lado o receio quanto ao futuro da atividade empresarial e educar o sucessor para a continuidade.

A falta de uma gestão profissional no processo de sucessão de uma empresa familiar é considerado por especialistas um dos maiores problemas das pequenas e médias empresas no País. Porém, se bem administrada, essa transição pode acontecer de forma satisfatória, evitando a falência do negócio.

Segundo o consultor Gilberto Rose, uma empresa que seja de médio a grande porte pode ter uma sucessão saudável, embora ainda apresente um ou outro problema. Nesse caso, para elas é mais fácil a correção por possuírem mais recursos, podendo assim contratar consultores, suporte técnico e promover a transição antecipadamente. "No entanto, para as micro e pequenas empresas é ainda mais complicado. E nelas, infelizmente, não existe uma preocupação com sucessão", lamenta. Muitos empresários são resistentes à transição e chegam a pensar que cogitar sobre o assunto possa atrair azar e até mesmo antecipar sua própria morte.

O consultor comenta que muitas pequenas e microempresas possuem negócios rentáveis conduzidos por empresários que têm talento e tino comercial para liderá-los durante uma vida inteira. Na falta deles, entretanto, imprevistos comerciais podem ocorrer e levar à falência o negócio. Em muitos casos, por exemplo, os herdeiros não possuem vocação empresarial. Pode ocorrer também a falta de uma administração mais profissional ou ainda registros referentes à gerência serem insuficientes". O empresário pode morrer e levar todas as informações com ele. A família fica sem saber como anda o negócio". Em muitos casos, nem mesmo o contador pode ajudar. Esse profissional, na maioria dos casos possui somente dados históricos, sem atuar efetivamente na gestão. De acordo com o consultor, notas fiscais, relatórios de faturamento não contêm toda a verdade da vida da empresa. Dívidas freqüentemente não são registradas e nas empresas familiares também costuma ocorrer confusão entre pessoa física e pessoa jurídica.

Outro problema levantado pelo consultor ocorre quando o negócio tem mais de um proprietário. Na falta de um deles, o sócio que fica à frente da direção pode se sentir prejudicado ao assumir todos os deveres sozinho e ter de dividir os lucros com os familiares do sócio ausente.

Estilo

O perfil conservador e centralizador de alguns empresários colabora para que o problema da sucessão familiar se agrave. Esse traço de personalidade é muito difundido no meio empresarial, variando apenas de ramo de atividade. O empresário é um solitário, que enfrenta dificuldades por não querer levar preocupações para a família, clientes, fornecedores e para o resto da cadeia na qual se insere e necessariamente interage.

O dono da empresa tem de ter a consciência de que os familiares necessitam ter conhecimento e acompanhar toda a gestão do negócio. É o que chamamos de fazer back-up dele próprio. O empresário precisa cercar os problemas de todas as formas para evitar qualquer tipo de risco".

Questão jurídica

Se não for planejada, a sucessão familiar pode trazer problemas também juridicamente. "A falta de um planejamento sucessório pode levar o negócio à falência com uma rapidez incrível". "O empresário tem de verificar a aptidão de seu herdeiro a fim de evitar a ocorrência de problemas jurídicos". Situações embaraçosas podem ocorrer depois da sucessão e não durante ela. A empresa pode fechar as portas pela inexperiência do seu novo líder, por problemas como inadimplência e processos trabalhistas, por exemplo.

Juridicamente, essa transição ocorre de duas formas: pela doação em vida ou pela morte do dono. Caso haja mais de um, a lei afirma que as outras partes têm o direito de decidir se aceitam o herdeiro como sócio. "Caso isso não ocorra, elas devem comprar as partes do herdeiro". No caso de morte de um único dono, só há a transferência de bens. Se os herdeiros quiserem manter o negócio, eles devem dar baixa na empresa existente e registrar uma nova empresa.

Pesquisa

Não é fácil para uma micro ou pequena empresa sobreviver no mercado. Números mostram as dificuldades enfrentadas pelos empresários e a questão da sucessão familiar se destaca entre os dados. É o que mostra, por exemplo, a pesquisa "Sobrevivência e Mortalidade das Empresas Paulistas de 1 a 5anos", divulgada em outubro de 2005. Um número elevado das empresas encerra suas atividades em até cinco anos de vida. Dos 3.463 empresários entrevistados, 20% atribuem o fechamento da empresa a problemas pessoais, nos quais está incluída, entre outros motivos, a sucessão familiar - 9% indicam desentendimentos com sócios.

Os demais fatores englobam falta de capital (25%), falta de clientes, inadimplência (11%), problemas de planejamento/administração (11%), problemas legais, concorrência, falta de lucro e perda do cliente único (23%). Dos dados desta pesquisa pode-se também concluir que 29% das empresas paulistas encerraram as atividades no primeiro ano de vida e 56% até o final do quinto ano de atividade. Um outro estudo do Sebrae- SP "Responsabilidade Social nas MPEs Paulistas", de dezembro de 2004, aponta que 25% dos proprietários das empresas que enfrentam problemas ou que tenham de definir estratégias procuram familiares ou colegas, enquanto 21% tomam decisões após ouvir diretores ou gerentes. Já 18% seguem conselhos de outros empresários e apenas 3% ouvem ou se balizam pela opinião de profissionais especializados.

Diálogo na sucessão familiar

Muitos negócios promissores não resistem à disputa familiar e sucumbem, destruindo a empresa, o patrimônio e até a relação familiar.

Transferir o controle de uma empresa tipicamente familiar pode ser o início de uma série de conflitos e de decisões que vão interferir no desempenho futuro.  

De acordo com o Sebrae-SP 90% das empresas brasileiras instaladas em nosso país têm o perfil de empresa familiar.  

A sucessão empresarial - empresa que passa de geração em geração em uma mesma família - deve ser trabalhada desde cedo. Atualmente, de cada 100 empresas, apenas 33 passam da primeira para a segunda geração da família. Deste total, somente 50% das empresas são passadas para a terceira geração. 

Os processos de sucessão familiar são bem mais fáceis de serem conduzidos quando existe diálogo.  

As famílias têm que expor o repertório da empresa sobre a mesa, e não fingir que os problemas não existem. Diálogo familiar é fundamental para a continuidade do negócio.  

Na primeira geração, a empresa familiar é ágil, rápida, eficiente. Isso é relativamente fácil de ser explicado porque o poder decisório normalmente está nas mãos, ou melhor, na cabeça de uma única pessoa. 

Já a transição do negócio entre gerações, a mudança da estrutura societária e a falta de profissionalização integram a lista de assuntos que tradicionalmente geram os mais sérios conflitos entre familiares.  

A sucessão empresarial acontece no momento que um herdeiro assume a empresa. E, quando ele não tem interesse em assumir esse papel, ele pode contratar um administrador para cuidar dos negócios da família.  

Existem ainda casos em que o herdeiro não possui uma formação adequada ou não está devidamente capacitado para assumir o negócio da família. Quando isso ocorre, a melhor opção é contratar um administrador.  

Novos donos  

Os filhos, os genros, as noras entram no negócio e se transformam nos "novos donos". O problema é que eles entram na empresa como herdeiros, tomando posse da herança que lhes coube. Raramente pensam que deviam entrar na empresa como sucessores.  

Ressalta-se ainda que muitos negócios aparentemente promissores não resistem à disputa familiar e sucumbem, destruindo a empresa, o patrimônio e, até mesmo, a relação familiar.

É por isso que o sucessor precisa se preocupar, de fato, com o seu preparo, para garantir que sua gestão será inovadora, dinâmica e, portanto, profissional.  

Para que essa administração de sucesso ocorra, existem várias orientações que podem ser seguidas. Por exemplo, que a sucessão empresarial não deve ser forçada ou imposta pela família. Além disso, o herdeiro deve iniciar a sua atividade profissional desde as funções básicas para ser promovido aos poucos, devendo passar pelo maior número de departamentos possíveis antes atingir um cargo de chefia.  

É recomendável também que trabalhe primeiro em outras empresas para obter noção de hierarquia e responsabilidade e que faça um planejamento com a data que pretende assumir a empresa. Uma conversa com o atual presidente da empresa para descentralizar o poder de decisão também vai auxiliar. E a criação de um plano estratégico focado no futuro da empresa é tão fundamental quanto o aprendizado de que nunca se deve misturar o dinheiro pessoal com o da empresa.  

Não existe pecado em uma empresa ser familiar, pois a gestão é que deve ser profissional. Geralmente, os filhos não querem mudar o trabalho realizado pelos pais. Porém, uma empresa não pode estagnar e necessita de estar constantemente inovando.  

É fundamental planejar a sucessão empresarial, levando em conta a família, a propriedade e a gestão do negócio. O planejamento deve ser elaborado com base no diálogo, no envolvimento e no comprometimento de todos. E é preciso ceder e ter humildade.  

E para que a sucessão transcorra dentro de uma normalidade, considera-se ainda essencial o planejamento prévio. Essa questão deve ser tratada antecipadamente e de preferência, enquanto o fundador ainda estiver vivo e atuante.  

Definir espaços  

Para evitar possíveis conflitos familiares dentro da empresa, os herdeiros devem tomar algumas atitudes como: obter um equilíbrio entre a expectativa do filho e a experiência do pai; não transformar a empresa em um ambiente de rivalidade; fazer um acordo societário definindo as responsabilidades e o poder de decisão de cada sócio; definir o uso dos bens da empresa, para que eles não sejam usados de forma pessoal; e o mais importante, não transformar a empresa em um grande “cabide" de emprego”.  

Em alguns casos os filhos não querem trabalhar com seus pais por puro preconceito - por não dar valor ao negócio da família - ou por não enxergar a rentabilidade da empresa.  

Essa visão pode ser quebrada quando um herdeiro consegue trocar experiências com outra empresa familiar ou procura um consultor para sucessão empresarial. O objetivo do consultor é de conscientizar e instrumentalizar os donos de empresas familiares, para a profissionalização da gestão e para a elaboração de um projeto de sucessão.


Filho na sucessão familiar 

Qual o papel do filho na sucessão familiar?
Normalmente, os filhos preferem acreditar que a responsabilidade de direcionar sua carreira profissional é da família. Ou seja, são os seus pais que devem dizer o que ele deve fazer. O raciocínio é que, por serem empresários bem sucedidos, seus pais é que tem condições para decidir o melhor. E para cada caso, pode haver um motivo diferente.

Existem jovens que se sentem pressionados a não decepcionar os seus pais. Essa insegurança é perigosa e, na maioria dos casos, não é devidamente compreendida pelos pais. De um lado, o pai confia na capacidade do filho e, por conta disso, concede liberdade para que ele faça o que bem entender na empresa. De outro lado, o filho está desesperado, pois tem noção que não tem preparo suficiente.

Acontece que ele não consegue falar isso aos seus pais. O jovem profissional não quer entristecer os seus pais sendo um filho abaixo da expectativa sonhada. Essa é uma situação que aflige muitos jovens com uma intensidade maior do que se imagina. O detalhe interessante nessa relação é que quanto mais os pais deixam o filho livre para decidir, mais ele se sente pressionado. A dica para situações como essa pode ser dividida em dois ângulos. Aos pais, recomenda-se que observem atentamente se não projetam nos filhos as qualidades que admiram num profissional. É necessário compreender as limitações de um sucessor, deixando de exigir que ele seja melhor em tudo que seus pais não conseguem ser. Já para os filhos a dica é em forma de pergunta: quem garante que seus pais realmente vão se ofender ou entristecer ao ouvir a verdade? Lembre-se: Se você quer ser um grande profissional, comece falando a verdade para os seus clientes mais fiéis, que são os seus pais.


Todo filho deve fazer carreira nas empresas da família?

Afirmo que um filho deve seguir carreira nas empresas da família somente quando perceber que irá encontrar realização pessoal e profissional. Para demonstrar o significado desta afirmação, costumo citar uma situação vivida por um cliente. É a história de um empresário que sempre sonhou em ver o seu filho assumindo os negócios da empresa. Acontece que quanto mais incentivo recebia do pai, o filho achava que o seu futuro era abrir um negócio próprio.

Um dia, cansado de insistir, o pai acabou cedendo aos pedidos do filho. Entretanto, fez algo que considero um exemplo de inteligência e perspicácia. Combinou com o filho que forneceria os recursos necessários para que ele abrisse a própria empresa mediante uma única condição. Ele deveria conseguir um emprego e trabalhar por, no mínimo seis meses, em uma empresa do setor que a família atuava. Caso ele fosse despedido antes disso, o prazo começaria a contar novamente.

O filho, considerando fácil o desafio, aceitou. No início, houve certo problema para conseguir um emprego, pois os concorrentes diretos não o aceitavam como funcionário. Para o filho isso não foi obstáculo. Conseguiu o tal emprego em uma cidade de maior porte onde sua família não era conhecida. Ao final de seis meses, o filho deixou o emprego e veio conversar com o seu pai. Entretanto, a proposta agora era outra. Ele queria assumir um cargo nos negócios da família.

Essa história justifica a dica. Um pai deve tomar o cuidado de não achar que a teoria pode sobrepor a prática. É como a diferença de aprender a dirigir um carro na teoria e depois ir para a prática. Da mesma forma, no mundo empresarial, é preciso que um sucessor experimente o gosto amargo da derrota para aprender a valorizar o sabor de cada vitória.


E quando pai e filho pensam de forma diferente sobre o futuro da empresa?

O famoso choque de gerações é mais do que esperado em um processo de sucessão em empresas familiares. Ele é benéfico e indispensável. Note que a necessidade de acompanhar as mudanças é um forte requisito para a sobrevivência de qualquer empresa no mundo atual. Sendo assim, um filho que pensa diferente se torna um questionador importante das atitudes do pai.

O que acontece é que a forma com que essas opiniões divergentes são colocadas é que acaba causando muita confusão. A falta de cuidado ao emitir uma opinião, devido principalmente à intimidade existente, é um dos principais motivos para complicar um processo sucessório. Muitas vezes, a falta de diálogo na vida pessoal acaba sendo decisiva no ambiente profissional. É possível que você já tenha tido a oportunidade de presenciar uma discussão entre pai e filho na empresa sobre questões de comportamento familiar. Ou ainda, pai e filho reclamando de atitudes e manias pessoais uns dos outros, misturando o passado com o presente.

Uma frase comum de muitos pais é: “Se você não tem responsabilidade sequer para arrumar o seu quarto, como pretende conduzir os negócios da empresa?”. Já do lado do filho, a reclamação tradicional do filho costuma ser “Se você nunca acredita nas minhas idéias, porque vou querer trabalhar aqui na empresa?”. Os pais devem se preparar para conduzir corretamente a sucessão na empresa por conta de sua experiência e tempo de vida. E ainda, não devem esquecer que seus filhos têm o direito de ter opiniões diferentes da sua. Numa empresa, um pai exigir subordinação e obediência do filho pode ser o maior inimigo de uma boa sucessão. Lembre-se: um filho aprende com seu pai. Sejam coisas boas ou ruins.


Será que os pais sabem vender a empresa para o filho sucessor?

Muitos pais erram porque não sabem vender a empresa para seus filhos. Ao mesmo tempo em que são hábeis em divulgar para o mercado todas as qualidades de sua empresa, no ambiente familiar e principalmente para o sucessor direto, adotam outra postura. Sempre que podem, passam a imagem de sofrimento para conduzir os negócios da família. É uma espécie de ritual de queixas e lamentos onde o objetivo é fazer com que os familiares fiquem compadecidos.

É justamente nessa hora, em que o empresário sequer está pensando na sucessão que os problemas estão sendo gerados. Em alguns casos, esses comentários estão sendo feitos na presença dos filhos que ainda estão na infância ou na adolescência. E o empresário acredita que os filhos não estão preocupados com os negócios da família. Novo erro! As decisões da fase adulta serão baseadas nas percepções e experiências vividas durante toda a vida.


É preciso que os pais entendam que é necessário “vender” a empresa para seus sucessores. Não no sentido financeiro, mas no sentido ideológico. O filho precisa enxergar a empresa da família como um local de realização e sucesso e não de sofrimento e dor. Não se trata de ensinar a trabalhar, mas sim, de construir uma imagem de atração no filho. E quanto mais cedo esse processo de convencimento começar, maior será a chance de nascer no filho uma verdadeira paixão pela empresa. A dica final para os pais é para que tomem cuidado com o exagero. Assim como acontece no relacionamento diário com clientes, uma boa venda é quando há o encantamento do cliente sem que a realidade seja alterada ou falseada. Com os filhos também é assim. Eles devem conhecer os problemas e, ao mesmo tempo, perceber que há mais vantagens que desvantagens.

O Comportamento do Fundador e dos Herdeiros da Empresa Familiar 

Os fundadores de empresas familiares são homens que constroem suas vidas a partir de sacrifícios, insucessos, sucessos e muito trabalho. Têm seu valor reconhecido através dos sentimentos que despertam, sejam de admiração ou de inveja, ou no exemplo daquilo que fazem através da contribuição que dão à sociedade. Representam a peça fundamental na fundação da empresa familiar e dedicam a história de suas vidas para a concretização de seu grande sonho. Por acreditarem na força de suas idéias, aplicam sua capacidade de trabalho, de visão de oportunidades e de dedicação aos negócios para vencerem dificuldades aparentemente insuperáveis, vencidas pelo amor que possui ao seu empreendimento.

Por essa razão, o fundador é figura central na empresa familiar e entender o seu universo é ponto fundamental para se lidar com os insucessos de sua empresa. O interesse em desenvolver um empreendimento familiar é conduzido por forças impulsionadoras, sejam por necessidades econômicas, o desafio da conquista, ou a insatisfação com o momento profissional. As motivações e os estilos de personalidades dos fundadores desempenham uma especial importância na fundação das empresas, onde há duas principais motivações:

- A primeira motivação é o desejo de auto-gerenciar-se ao invés de sentir-se empregado;
- A segunda é encontrar uma oportunidade de mercado.

Como centralizador, sua visão gera prioridades e atividades, e seu comportamento determina as decisões e os valores da empresa, requer ações concretas com a finalidade de contratar membros da família, prepará-los para cargos gerenciais, distribuir ações entre herdeiros, e preparar a transição do controle gerencial dentro da família. Desejando assim, com maior intensidade, que a empresa se torne familiar, devido à ampliação da família.

Essa idéia, geralmente, intensifica-se quando os filhos crescem, adequando às necessidades da empresa os interesses da qualificação e acomodação dos filhos. Os herdeiros e herdeiras de empresas familiares têm seu comportamento muito visado pelos próprios pais, pela família e pela sociedade. Sobre os mesmos, deposita-se grande expectativa, comparando-os com os próprios pais e esperando que, como filhos de empresários, saibam continuar o império construído pelos progenitores.

No contexto destas expectativas, diversas vezes, os pais constroem a empresa, mas equivocadamente, se esquecem de analisar um dos fatores determinantes da continuidade do negócio familiar; a preparação dos herdeiros para serem as novas lideranças. A competência e a dedicação dos sucessores são fundamentais. Mas antes que, um herdeiro seja feito sucessor, precisa ser feito um profissional e ter profundo amor pelo negócio, papel que compete indiscutivelmente aos pais.

As famílias empresariais, diversas vezes, exigem que seus herdeiros trabalhem nos negócios da família, não permitindo que sigam suas verdadeiras vocações. Outros herdeiros deparam-se com pais autoritários, fazendo com que os mesmos desenvolvam personalidades frágeis, sendo incapazes de defender as próprias idéias. Em contra-partida, existem os herdeiros que recorrem unicamente a esta alternativa de sobrevivência, objetivando oportunidade e remuneração. Nesse caso, a família deve avaliar se a oportunidade dada será correspondida, se o herdeiro está disposto a preparar-se para contribuir com competência em alguma função na empresa, ou apenas será nepotismo - uma contratação dispendiosa para os cofres da empresa.

Além desses aspectos, cabe salientar que é um enorme desafio trabalhar na empresa da família. Os conflitos entre pai-filho, as disputas de autoridade vividos em fases anteriores da vida, podem permanecer no ambiente de trabalho. Nem sempre é fácil para o filho herdeiro fazer parte da empresa. De um lado, podem querer fazer parte da empresa, sentem orgulho de ver o nome da família ligado a um empreendimento de sucesso. De outro, sabem que se optarem por uma vida fora do negócio familiar terão menos cobrança em relação ao seu desempenho, mas poderão mais tarde ser cobrado justamente por não assumirem um papel que lhes estava destinado.

Há quatro razões que influenciaram a ascensão das filhas mulheres nos negócios familiares:

- A primeira razão é que a relação pai-filha é muito mais calma e estável que a de pai-filho, e que os pais aceitam mais facilmente os conselhos e críticas sobre negócios quando vindos de uma filha.

- A segunda, é que as filhas são criadas para dar apoio às necessidades emocionais e são mais preocupadas em harmonizar a família, não tendo como propósito único a carreira. Contudo, sobre essa temática há muitas controvérsias.

- A tendência atual é de que cada vez mais mulheres herdeiras ocupem seus postos no contexto das empresas familiares, assumindo espaços de comando que antes eram apenas reservados aos homens. A principal causa desta constatação, pode ser de que as filhas herdeiras estão mais dispostas a aprender do que os herdeiros, pois estão muito mais conscientizadas das necessidades de se prepararem e são mais humildes para aprender
- Para Lodi (1998) os traços e os valores diferem o comportamento das herdeiras que se destacam: apresentam mais claramente os valores da família, trabalham duro, se comprometem com o sucesso do negócio, se dispõem ao sacrifício em prol do cliente, têm a confiança dos familiares, isso tudo vem a defender a ascensão da mulher e minimizar as diferenças de gênero quando envolve família e trabalho. A partir destas situações descritas, pode-se perceber que as mudanças são inevitáveis no comportamento das empresas familiares.

Para o fundador, depois de dar vazão ao seu potencial natural, compete fazer o que está a seu alcance para a concretização do processo sucessório. Para tanto, os herdeiros passam a desenvolver suas carreiras nas empresas, preparando-se assim, para a transmissão de poder.

A Carreira do Herdeiro

Não haverá transição satisfatória se os herdeiros não estiverem preparados para os papéis que lhes couberem. Para isso, é fundamental o investimento na sua formação, preparando-os para exercerem quaisquer dos papéis possíveis: acionistas, conselheiros ou gestores. Herdar o sobrenome da família, que por sua vez, dá nome à empresa familiar, não é quesito suficiente para garantir que o futuro sucessor venha a exercer com qualidade suas atribuições. Além de dar continuidade ao trabalho árduo do fundador, o herdeiro que desempenhar o papel de sucessor deverá assimilar novas técnicas para adaptar-se às mudanças de sua era. Não lhe sendo suficiente apenas o conhecimento, mas habilidades para desenvolver o carisma e preencher o papel de dirigente.

Para o desenvolvimento da carreira, Lodi (1978) e Garcia (2001) aconselham que o herdeiro deva começar de baixo, porém deve planejar sua ascendência circulando por diversas áreas da empresa para que possa compreender o negócio como um todo e para que, quando estiver ocupando a posição de comando, tenha um conhecimento mais amplo do negócio. As famílias empresariais ou os próprios herdeiros podem buscar ajuda para o processo de desenvolvimento da carreira do herdeiro, como "conselheiros" ou "mentores", que além de ajudar a planejar a carreira profissional torna-se um efetivo parceiro, sendo até um confidente.

Considerando a significativa importância do papel do mentor, no processo de desenvolvimento de jovens talentos, suas principais características são:

- Não devem ser parentes ou chefes do sucessor;

- Devem entender os valores da família e trabalhar dentro dos limites desses valores;

- Devem conhecer bem o negócio, a família e o sucessor; devem ter visão estratégica e de plano de carreira; e

- Devem considerar os interesses do sucessor; sendo de confiabilidade para o fundador, assim como, para o sucessor. Um dos equívocos mais comuns que têm sido cometidos no preparo de herdeiros é fazê-los pensar que a única opção vocacional que possuem é a empresa herdada.

Os herdeiros devem ter consciência que consangüinidade não garante qualificação para o jogo de inteligência exigido para a liderança empresarial. Não existe direito adquirido, o sucesso precisa ser merecido diariamente.

Transformar alguém em um grande líder de uma empresa familiar exige uma formação complexa, onde os conceitos não podem ser apenas ensinados, mas vivenciados. O herdeiro deve compreender que nem sempre as melhores soluções são as tomadas de forma interdependente. É necessário que avalie conjuntamente os interesses pessoais, da família, dos acionistas, da empresa, dos colaboradores, dos clientes e dos fornecedores. É fundamental, que o herdeiro percorra seu caminho sempre com a intenção de atingir dois resultados. O primeiro é dar continuidade do legado que recebe. O segundo é alcançar a felicidade pessoal e a realização profissional.


A Sucessão

O mais relevante entre os pontos negativos de uma empresa familiar: a falta de planejamento para o processo sucessório. É necessário discutir a sucessão entre as pessoas que buscam o poder dentro de suas empresas, pois é um processo que precisa ser tratado com atenção para coordenar o futuro da empresa. A falta desse planejamento serve como justificativa para o fundador adiar e postergar o próprio processo de distanciar-se do poder, assim, alega muitas vezes, não ter chegado o momento adequado para "pensar" no processo sucessório.

A transição entre gerações envolve diversos ângulos – família, propriedade e empresa – não sendo apenas uma questão de gestão. E por se tratar de uma família empresarial, para viabilizar a continuidade desse empreendimento, a transição familiar e a transição societária são tão ou mais importantes que a transição da gestão.

Aconselha-se iniciar o quanto antes a sucessão, enquanto o fundador estiver presente no negócio. Sugere que o sucedido teste a sucessão enquanto estiver em pleno vigor físico, mental e detendo o controle sobre o negócio. Gersick (1997, p. 201) acrescenta: "A sucessão não é uma coisa, mas muitas. Não é um evento único que ocorre quando um velho líder se aposenta e passa a tocha a um novo líder, mas um processo movido por um ‘relógio’ de desenvolvimento - começando muito cedo nas vidas de algumas famílias e continuando através do amadurecimento e envelhecimento natural das gerações".

São identificados dois tipos de processo sucessório nas empresas familiares:

- a sucessão familiar; e

- a sucessão profissional.

A sucessão familiar exige que a análise para o processo sucessório seja real para não se avaliar equivocadamente, afirmando que os herdeiros naturais são os melhores dirigentes para a empresa. E na sucessão profissional, a empresa familiar passa a ser administrada por profissionais contratados.

Para as famílias empresariais que se encontram no processo sucessório, o conselho deriva circunstancialmente, por questões em torno da sucessão, relacionadas à liderança da empresa no futuro, dissertam por tais temáticas; a concentração de participação acionária na família, os interesses de membros da família para vender suas partes, enfim, discussões mais genéricas do futuro da família.

Deve-se salientar que muitas consultorias procuram transformar os fundadores em conselheiros. De fato é importante para os empreendedores compreender efetivamente o que irão deixar como legado aos herdeiros, pois é missão do conselho administrar a transição, pulverizando os interesses dos sócios de uma geração para a outra, educando-os para esta nova relação.

O papel do Conselho neste caso é de supervisionar esses jovens, cuja eventual falta de experiência será suprida pelos mais velhos. O autor destaca que é necessário então disciplinar a entrada dos futuros herdeiros na empresa e isto deve ser feito de forma organizada. Uma das prioridades é evitar a preferência entre os filhos acionistas que têm cargo na empresa, preterindo aos filhos daqueles parentes acionistas que não estão trabalhando na empresa.


O processo sucessório, não pode ser tratado sob os aspectos lógicos da administração, pois envolve pontos afetivos e emocionais relacionados com a estrutura familiar.

Quem são as empresas familiares?  

É preciso lembrar que, para uma empresa se tornar profissional, o primeiro passo não é contratar administradores profissionais que não pertençam à família. O fundamental é a atitude que a família assume diante da profissionalização. Muitos executivos contratados por estas empresas queixam-se de problemas como falta de clareza na orientação que a família pretende imprimir à empresa e das dificuldades de conseguir resultados onde há muitas situações questionáveis. 

As empresas familiares são a forma predominante de empresa em todo o mundo. Elas ocupam uma parte tão grande da nossa paisagem econômica e social que nós se quer nos damos conta. Nas economias capitalistas, a maioria das empresas se inicia com as idéias, o empenho e o investimento de indivíduos empreendedores e seus parentes. Casais juntam suas economias e dirigem lojas em conjunto. Irmãos e irmãs aprendem o negócio dos pais desde crianças, ficando atrás dos balcões ou na plataforma de carga depois da escola. Fazer com que um empreendimento empresarial tenha sucesso e depois passar de pais para filhos (e, recentemente, filhas) não é apenas um sonho americano. O sucesso e a continuidade das empresas familiares são o sonho dourado para grande parte da população do mundo. 

Artigos sobre empresas familiares fazem varias suposições a respeito do número de empresas controladas por famílias, mas mesmo as estimativas mais conservadoras colocam a proporção dessas empresas entre 65 e 80% do total. É verdade que muitas delas são pequenas propriedades que nunca irão crescer ou ser passadas de uma geração para outra. Mas também é verdade que muitas dessas empresas estão entre as maiores e mais bem sucedidas do mundo. Estima-se que 40% das quinhentas maiores empresas listadas pela revista Fortune sejam de propriedade de famílias ou por elas controladas. As empresas familiares geram metade do Produto Nacional Bruto (PNB) dos Estados Unidos e empregam metade da força de trabalho. Na Europa, elas dominam o segmento das pequenas e médias, e em alguns países, chegam a compor a maioria das grandes empresas. Na Ásia, a forma de controle familiar varia de acordo com as nações e culturas, mas as empresas familiares ocupam posições dominantes em todas as economias mais desenvolvidas, com exceção da China. Na América Latina, grupos construídos e controlados por famílias constituem a principal forma de propriedade privada na maioria dos setores industriais.

 Para a maior parte das pessoas, as duas coisas mais importantes em suas vidas são suas famílias e seu trabalho. É fácil compreender o poder das organizações que combinam ambas as coisas. Estar em uma empresa familiar é algo que afeta todos os participantes. O papel de presidente do conselho é diferente quando a empresa foi fundada pelo seu pai, e sua mãe e seus irmãos participam das reuniões, assim como se sentam em torno da mesa de jantar. O trabalho de um CEO - Chief Executive Officer é diferente quando o vice-presidente, na porta ao lado, é também uma irmã mais nova. O papel de sócio é diferente quando o outro sócio é um cônjuge ou filho. O papel de representante de vendas é diferente quando uma pessoa cobre o mesmo território que vinte anos atrás era coberto por seu pai e vinte e cinco anos antes dele, por seu avô. Até mesmo passar pela porta da empresa em seu primeiro dia de trabalho, seja numa linha de montagem, ou no setor de faturamento, é diferente se o nome acima da porta é o seu. 

Esta diferença não é apenas um sentimento. Ela está enraizada na realidade da empresa. As empresas possuídas e administradas por famílias constituem, uma forma organizacional peculiar, cujo "caráter especial" tem conseqüências positivas e negativas. Elas extraem uma força especial da história, da identidade e da linguagem comuns às famílias. Quando dirigentes-chave são parentes, suas tradições, seus valores e suas prioridades brotam de uma fonte comum. As comunicações, verbais ou não, podem ser grandemente aceleradas nas famílias. Cônjuges e irmãos têm maior probabilidade de entender as preferências explícitas e as forças e fraquezas ocultas uns dos outros. Mais importante, o empenho, até mesmo a ponto do auto-sacrifício, pode ser solicitado em nome do bem-estar geral e da família. 

Entretanto, esta mesma intimidade também pode trabalhar contra o profissionalismo do comportamento empresarial. Antigas histórias e dinâmicas familiares podem se intrometer nos relacionamentos de negócios. Pode ser mais difícil exercer autoridade com os parentes.

 Os papéis na família e na empresa podem tornar-se confusos. As pressões da empresa podem sobrecarregar e destruir relacionamentos familiares. Quando trabalhando mal, é possível criarem-se níveis de tensão, raiva, confusão e desespero que podem destruir, de forma surpreendentemente rápida, boas empresas e famílias sadias. Algumas tragédias familiares acompanhadas de desastres nos negócios são de conhecimento público. A família Bingham em Louisville, os Pulitzer e os Du Pont são leitura obrigatória.

 Infelizmente, os fracassos sensacionais às vezes obscurecem a beleza de empreendimentos familiares bem-sucedidos. Quando trabalhando em harmonia, as famílias podem trazer para a empresa níveis de comprometimento, investimento em longo prazo, ação rápida e dedicação ansiada por empresas não-familiares, mas raramente alcançados. As empresas familiares são tremendamente complicadas, mas, ao mesmo tempo, decisivas para a saúde da nossa economia e a satisfação de milhões de pessoas.

 Entretanto, nem sempre os profissionais estão preparados para lidar com a natureza especial deste tipo de empresas familiares. A influência das famílias sobre os negócios que elas possuem e dirigem muitas vezes é invisível para os teóricos e escolas de administração. Os tópicos principais do ensino de administração - comportamento organizacional, estratégia, finanças, marketing, produção e contabilidade - são ensinados sem que se diferenciem empresas familiares e não-familiares. Os modelos econômicos subjacentes à maior parte da ciência da administração dependem da "intercambiabilidade" dos responsáveis pelas decisões, portanto não faz diferença "quem" eles são. Normalmente as publicações de negócios tratam o envolvimento da família com a empresa como informação anedótica - pitoresco e interessante, mas raramente importante. 

EMPRESA FAMILIAR - SUCESSÃO EM CONFLITO

 A questão da sucessão tem uma posição ambígua, pode dar às empresas uma nova perspectiva de atuação, ou pode ser a sua destruição, aliada à falta de profissionalismo. 

A maior preocupação das empresas familiares é a sua sobrevivência. A maioria delas enfrentam problemas existenciais ou estratégicos, isto é, dificuldades relacionadas à inadequação, tanto na utilização, quanto na escolha dos recursos disponíveis para o alcance de vantagens de mercado.  

A fase inicial, a garra e a visão de mercado do fundador são os traços predominantes. O perfil, os valores e as crenças do fundador são passadas à empresa e aos funcionários, iniciando assim a formação da cultura organizacional. 

As organizações com base familiar apresentam vários problemas de gestão, que prejudicam sua atuação num mercado competitivo. Tais problemas não são privilégios de empresas familiares, pois outras organizações também os apresentam de forma semelhante.

Para uma empresa tornar-se profissional, o primeiro passo não é contratar administradores profissionais que não pertençam à família. O fundamental é a atitude que a família assume diante da profissionalização. 

Para orientar a empresa familiar, no sentido de minimizar estes problemas, dois tópicos básicos de gestão são necessários:

        Profissionalização;

        Planejamento de sucessão familiar. 

Profissionalização é o instrumento que consegue diferenciar os interesses da família com os da empresa, minimizando o conflito. Exemplo: separação de propriedades e de posições hierárquicas. São estabelecidos critérios gerais, que irão nortear as decisões e posturas dos administradores, como: contratação, remuneração, tomada de decisões na promoção de funcionários. 

Planejamento de sucessão familiar tem como ponto central a escolha do sucessor e deve ser orientado por critérios claros que defendam os interesses da empresa.

 Os pontos críticos de uma sucessão são:

        Treinamento;

        Avaliação na escolha dos sucessores;

        Comparação do perfil do sucedido com o do sucessor, em relação ao exigido pela empresa;

        Associação do sucesso da empresa com a imagem do fundador. 

As idéias apresentadas não têm o objetivo de resolver problemas relativos às empresas familiares, mas orientar o pensamento dos dirigentes, na geração de programas, que visem aumentar longevidade da empresa, integrada às expectativas da família. 

CONCLUSÃO

 Aliado ao fator desenvolvimento local, entendemos a Empresa Familiar como fator fundamental em termos de melhoria das condições da região, que existe e continuará sempre existindo. O importante é pensarmos em como ajudá-las a se tornarem mais fortes, saudáveis e geradoras de empregos.

 Constatando que grande parte das empresas familiares sofrem com as adversidades do meio ambiente em que estão inseridas, estas empresas devem estar imbuídas em efetuar um acompanhamento de sua gestão, otimizando o enfoque da profissionalização e obtendo condições para que permaneçam em atividade rentável.

As famílias querem que todos os seus membros tenham conforto, amor e proteção, especialmente seus filhos. Porém, muitas delas temem que a realização de uma dessas metas venha em detrimento da outra. Elas se preocupam com a possibilidade de que conflitos familiares, indiferença ou falta de profissionalismo, possam prejudicar a capacidade de prosperidade da empresa, destruindo o suporte financeiro para a família e corroendo o legado e a instituição que se esforçaram tanto para construir. Ao mesmo tempo, elas temem que a pressão da empresa crie tensão, ciúme ou ressentimentos, tornando seu sucesso sem significado. Por detrás de todos os problemas que as empresas familiares criam para os profissionais - planejamento sucessório, relacionamentos dentro da mesma geração e entre gerações, dilemas de controle, dividendos e herança, planejamento de carreiras - existe um desejo comum: o de que a empresa e a família se sustentem mutuamente e não se destruam, capitalizando as forças, uma da outra, e tendo juntas mais sucesso do que teriam sozinhas. 

Por outro lado, o modelo se baseia em poucas idéias simples a respeito de sistemas e desenvolvimento. Podemos resumir seus conceitos centrais como duas lições da experiência, as quais aprendem com as próprias empresas familiares, tanto com aquelas que estão se aproximando de suas metas como com outras que estão lutando para superar seus temores.

 Sobe 

  (19) 3406.5769
(19) 9741.1735
  zanco@zanco.com.br