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CÂNCER DE MAMA EM HOMENS

Exame do toque previne o câncer de mama no homem
O aumento das mamas masculinas recebe o nome de ginecomastia, doença que deixa o peito masculino com o mesmo aspecto de mamas femininas. O problema pode acometer tanto adolescentes quanto idosos e decorre do acúmulo de gorduras ou crescimento desordenado das glândulas mamárias do homem, em função de descontrole hormonal, uso de anabolizantes, inibidores de apetite e outros medicamentos, além da herança genética, entre outros problemas. Quando muito dolorido, o recurso da radioterapia ajuda a amenizar o problema até que possa ser sanado cirurgicamente. Em raros casos pode preceder um câncer de mama, que acomete 1% da população masculina. De acordo com a especialista em oncologia Ana Maria Garcia Cardoso, da Unidade Regional de Radioterapia e Megavoltagem (Urrmev), de Rio Preto, a radioterapia é usada para inibir o processo de avanço da ginecomastia, com anti-álgico e antiinflamatório em doses baixas.
As causas do câncer de mama no sexo masculino são as mesmas verificadas nas mulheres e a prevenção se dá, também, por meio de apalpação. Com a constatação de qualquer anormalidade, caroço ou massa, o homem deve procurar ajuda o mais rápido possível. Tanto em relação à ginecomastia como no caso do câncer de mama, os fatores genéticos são predominantes. Estudos comprovam que homens que têm ginecomastia (volume da mama aumentado), apresentam cerca de 10% mais chances de desenvolver o câncer. Além disso, ela afirma que há uma forte relação entre pacientes que já tiveram doenças testiculares e o diagnóstico do câncer de mama. Em alguns destes casos podem ocorrer metástases do câncer de próstata para a mama masculina. O uso do medicamento Gicthylbestrol por mais de quatro anos em pacientes prostáticos, por exemplo, eleva a possibilidade do surgimento do câncer. Ela observa ainda que a reincidência pode ocorrer por volta dos 60 anos de idade e é mais freqüente na raça branca.
A médica comenta que embora não se fale muito sobre o assunto, o uso de andrógenos e hormônios femininos no tratamento de patologias da próstata, por exemplo, aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de mama no homem, pois estimula o hiperestrogenismo. Na verdade, estes métodos são ultrapassados, pois hoje já existe radioterapia apropriada para tratar câncer na região testicular. Inclusive a orquiectomia (retirada dos testículos) pode ser indicada para inibir o processo de ginecomastia e/ou regredir câncer de mama”, explica a oncologista radioterapeuta. Assim como na mulher, a mutação do gene BRCA1 também pode estar presente quando aparece o câncer masculino. Um trabalho recente publicado pelo Journal National Cancer Institute mostra que a incidência de câncer de mama contralateral (em apenas um dos peitos) é maior no homem do que na mulher.
Diante dos sintomas, como dor nas mamas, descarga de secreção pelos mamilos, ulceração nos casos mais avançados, introjeção do mamilo e massa palpável (tumoração palparal) os homens são encaminhados para tratamento, que pode tanto ser cirúrgico como à base de quimioterapia ou radioterapia. O tratamento mais usado é a mastectomia radical, devido ao diagnóstico tardio. É usada também a radioterapia pós-operatória para erradicação de resquícios.
Não confunda ginecomastia com câncer
O cirurgião plástico Antonio Roberto Bozola, do Hospital de Base de Rio Preto, alerta para a importância de se dissociar ginecomastia (em geral problema benigno) de câncer de mama masculino. A ginecomastia é muito mais comum e chega a atingir em torno de 3% a 5% dos homens, preferencialmente adolescentes ou com mais de 50 anos de idade. “No geral, não tem qualquer relação com o câncer masculino, pelo contrário, normalmente é apenas uma mama grande que pode ser retirada por intermédio de lipoaspiração quando há apenas gordura localizada. Se houver associação de problemas glandulares e também gordura, é indicada a cirurgia”, diz ele. O médico explica que neste caso o volume é removido através da auréola e a cicatriz fica praticamente invisível.
Bozola explica que os problemas emocionais são muito intensos nestes pacientes. “Por se sentirem feminilizados, muitos se isolam, deixam de praticar esportes e até desenvolvem outros problemas como a curvatura exagerada da coluna, na tentativa de ocultar o problema. Traz o mesmo desconforto sentido por uma mulher sem seio, só que, neste caso, de maneira inversa”, diz. Embora opere com alguma raridade casos de câncer de mama masculino, o médico afirma que a única solução é a cirurgia radical (retirada total da mama) e também o esvaziamento da axila. Após isso, é feita a reconstrução exatamente como se faz com a mulher. Em ambos os casos o tratamento é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O cirurgião oncológico Renato Santos, do Hospital São Luís, de São Paulo, afirma que as chances de cura aumentam com o diagnóstico precoce e variam de 80% a 90%. Justamente por isso ele reforça que ao notar qualquer alteração na mama é fundamental procurar o aconselhamento de um médico. Um dos primeiros sintomas é o aparecimento de um caroço, que cresce gradativamente e, muitas vezes, é indolor. “Pode haver alterações na pele da mama sobre o caroço, podendo provocar a retração do mamilo e perda sangüínea. Quando já está em estágio avançado, além da dor pode ocorrer ulceração da pele”, diz.
Sobe
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