|
AIDS
- O Tamanho da Epidemia
- HIV é o vírus da imunodeficiência humana
- Dúvidas mais comuns
- Número de mulheres com AIDS no Brasil é o maior desde a década de 80
- Fatores biológicos e sociais tornam mulher mais vulnerável à AIDS
- AIDS aumenta entre negros e pardos, diz Ministério da Saúde
- AIDS afeta quase 38 mi de pessoas em todo o mundo
- Brasil abriga um terço dos portadores de HIV da América Latina
- Mulheres são quase a metade dos portadores de AIDS do mundo
- Um problema de saúde, mas também político e social
- AIDS: um problema político e social
O tamanho da epidemia
A Organização Mundial de Saúde estima que:
- Existam hoje cerca de 30 milhões de pessoas vivendo com HIV/AIDS no mundo. Mais de 1 milhão delas são crianças.
- Cerca de 12 milhões de pessoas já morreram desde o início da epidemia em 1981.
- Só em 1997, cerca de 6 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV no mundo.
- A velocidade estimada de crescimento da epidemia é de 16 mil casos por dia.
- No Brasil, estima-se que cerca de 500 mil pessoas vivam com HIV/AIDS.
- Cerca de 130 mil pessoas já tiveram seu diagnóstico de Aids confirmado no Brasil.
- Hoje, a proporção de casos é de 2 homens para cada mulher contaminada. No início da epidemia essa relação era de 20 homens para uma mulher.
-
Sobe
Tratamento
- O advento do "coquetel" de remédios contra o HIV fez com que as complicações e mortes pela doença caíssem, pelo menos, 50% nos últimos anos.
- O coquetel é uma combinação de mais de um tipo de medicação antiviral (o esquema clássico utiliza um inibidor de protease e dois inibidores de transcriptase reversa)
Protease e transcriptase reversa são duas enzimas (ferramentas) essenciais ao vírus para que ele mantenha seu processo de replicação.
Conheça os medicamentos existentes:
Inibidores nucleosídeos da transcriptase reversa: AZT, ddC, ddI, 3TC, d4T
Inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa: Nevirapina, Delavirdina
Inibidores da Protease: Saquinavir, Indinavir, Ritonavir, Nelfinavir, Abacavir
A monoterapia (uso de uma só droga) para tratar o HIV caiu. Ela induzia resistência do vírus aos medicamentos muito precocemente
Carga Viral
- É o exame que quantifica como está o nível (quantidade) de vírus no organismo
- Desde que o coquetel passou a ser usado em larga escala, a carga viral tornou-se um dos principais parâmetros para o médico avaliar se o tratamento está funcionando
- Outro parâmetro é a contagem das células de defesa (conhecidas como CD-4)
Vacinas
- Vários estudos com vacinas estão em fases iniciais de pesquisa
- Existem pelo menos duas novas vacinas sendo testadas em larga escala para checagem de eventual proteção contra o vírus HIV. No entanto, dentro da próxima década, é pouco provável que uma vacina altamente eficaz e segura esteja à disposição da população
HIV é o vírus da imunodeficiência humana
Causada pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana), a Aids não costuma dar sintomas a não ser numa fase mais avançada da doença.
Ela enfraquece o sistema imunológico do ser humano, deixando-o mais vulnerável a outras doenças e à contaminação por tipos variados de vírus.
A pessoa contaminada pode demorar até dez anos para desenvolver algum sinal da doença. Isso significa que alguém aparentemente saudável pode estar contaminado e apto a transmitir o vírus. A única maneira segura de fazer o diagnóstico da infecção é pelo exame periódico de sangue.
Para pessoas consideradas do grupo de risco (usuários de drogas e pessoas com vida sexual ativa sem proteção), os médicos recomendam que os exames sejam repetidos de seis em seis meses.
Em estágio avançado, o doente costuma manifestar sintomas de outras doenças, causadas por vírus ou bactérias que se aproveitam da fragilidade do organismo para se manifestar. As doenças mais comuns são pneumonia e sarcomas de Kaposi - Espécie de câncer de pele.
O vírus é transmitido por meio de fluidos do corpo humano, como esperma, secreções vaginais, sangue e leite materno. Portanto, as formas de transmissão do HIV de uma pessoa contaminada para outra são relação sexual sem proteção (vaginal, anal ou sexo oral), transfusão de sangue, uso compartilhado de seringas entre usuários de droga e a transmissão da mãe para o filho (o bebê pode ser contaminado durante a gestação, no parto ou pelo leite materno).
Vale lembrar que a contaminação se dá entre homens e mulheres e homens e homens. Até 2004, apenas um caso de transmissão de mulher para mulher havia sido relatado às autoridades internacionais de saúde. Acredita-se que a possível contaminação tenha ocorrido durante sexo oral com uma das parceiras menstruadas.
Sobe
Dúvidas mais comuns

Uma dúvida muito comum é se o HIV pode ser transmitido pelo beijo na boca. O risco da transmissão pela saliva foi avaliado em vários estudos.
Eles mostraram que a concentração do vírus na saliva é extremamente baixa, sendo muito difícil a contaminação. Para isso, seria preciso que houvesse lesões na boca com sangramentos. Ou seja, o beijo na boca apresenta baixíssimo risco de contágio. Até hoje, segundo o Centro de Controle de Doenças dos EUA, apenas um caso de contaminação por beijo foi comprovado.
Também é possível pegar o vírus por meio de sexo oral. O risco também é menor do que no sexo anal ou vaginal, mas ele existe e deve ser evitado com o uso de camisinhas ou de qualquer outro plástico fino que impeça o contato entre o esperma ou secreções vaginais contaminadas com cortes ou outros ferimentos na boca.
Ainda não existe cura para a Aids, mas novas medicações aparecem a cada dia. Atualmente, já é possível levar uma vida normal estando contaminado com o HIV.
Os especialistas acreditam que a tendência é da infecção pelo HIV se transformar numa doença crônica, controlada pelos remédios. Por outro lado, estão cada vez mais preocupados com a expansão da doença.
Cada vez mais, tem-se investido em campanhas de prevenção e essa é a única forma de se evitar o comportamento de risco que pode levar à infecção pelo HIV.
Fontes: ONU (Organização das Nações Unidas), OMS (Organização Mundial de Saúde) e Ministério da Saúde do Brasil.
Número de mulheres com Aids no Brasil é o maior desde a década de 80
O número de mulheres infectadas pelo vírus HIV é o maior desde a década de 80, quando começou a epidemia de Aids no Brasil. Foram 12.599 notificações, em 2003, contra 10.566, em 1998, cerca de 16% as mais. A informação consta do Boletim Epidemiológico da Aids 200, divulgado nesta terça-feira (30/11), pelo Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde.
Apenas nos primeiros seis meses deste ano já foram registrados 5.538 casos de Aids em mulheres. O avanço da doença entre o sexo feminino é o tema escolhido pelo governo federal para marcar o Dia Mundial de Luta contra a Aids, nesta quarta-feira (1º).
Entre os homens, o boletim revela que a tendência é de estabilização da doença. No ano passado, foram notificados 19.648 casos, quase 7% menos do que em 1998, quando houve 21.056 registros. A estabilização ocorreu, principalmente, entre os homens homossexuais ou bissexuais.
Em 1998, esse grupo representava quase 30% do total de infectados do sexo masculino, passando para 25%, em 2004. Situação inversa ocorreu com os heterossexuais, que representavam cerca de 30% dos homens infectados, em 1998, e hoje são 42%.
Em conseqüência da contaminação feminina, houve 201 casos de crianças até 13 anos, no primeiro semestre deste ano. Trata-se da chamada transmissão vertical, da mãe para o filho. Em 2003, foram 519 casos de transmissão vertical.
O boletim revela ainda a redução de infectados entre os usuários de drogas, principalmente as mulheres. Há uma década, essa era a forma de infecção feminina em 17% dos casos. Hoje, é responsável por apenas 4,3% das notificações. Entre os homens, passou de 27% para 13%, em dez anos.
A taxa de mortalidade também apresentou estabilidade nos últimos anos. No público masculino, o índice de 2003 é o mesmo de 2001: 8,8 mortes em cada grupo de 100 mil homens. Entre as mulheres, houve um pequeno aumento, de 3,9 mortes por 100 mil mulheres, em 2001, para 4 mortes por 100 mil, em 2003.
O diretor do Programa Nacional de DST/Aids, Pedro Chequer, relacionada queda da mortalidade mais acentuada em determinados municípios do país, como São Paulo, é resultado da maior eficiência do sistema de saúde. "Quando o sistema de saúde funciona e responde precocemente ao diagnóstico e ao tratamento, pode-se modificar o perfil da epidemia do ponto de vista da incidência e da mortalidade", afirmou.
Sobe
Fatores biológicos e sociais tornam mulher mais vulnerável à Aids
Fatores biológicos e sociais têm contribuído para acentuar o risco de contágio do vírus HIV entre as mulheres, segundo a Unaids (a agência da ONU para a Aids).
"As mulheres têm uma vulnerabilidade adicional ao vírus HIV", disse Nina Ferenci, coordenadora da Unaids para a América Latina e o Caribe.
"Por um lado, estão a desigualdade e a dependência sócio-econômica. Por outro, a vulnerabilidade biológica."
De acordo com estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), as mulheres são de duas a quatro vezes mais vulneráveis do que os homens em relação à infecção do vírus da Aids.
Durante a relação sexual, o vírus é transmitido com mais facilidade do homem para a mulher do que da mulher para o homem.
Fatores biológicos
O tecido da vagina e do reto é muito mais vulnerável ao contágio do que o tecido que cobre o pênis.
Além disso, a superfície de contato da mulher é muito maior, como explica Nina: "Em uma relação sexual, a mulher tem um contato estendido com os fluidos seminais, o que leva à maior probabilidade de infecção".
Por essa razão, continua Nina, é importante desenvolver métodos de proteção contra o vírus da Aids que possam ser controlados pela mulher.
"Em muitos casos, o homem se nega a usar preservativos, e muitas mulheres têm consciência que estão se expondo ao risco, mas não podem impor o uso da camisinha a seu parceiro", disse a coordenadora da Unaids.
"Estamos tratando de fomentar o desenvolvimento de certos métodos que a mulher possa controlar, como microbicidas, uma espécie de creme vaginal que pode matar o vírus, ou camisinhas internas femininas."
Fatores sociais
Para Nina, a epidemia de Aids expõe justamente os problemas diários que mulheres enfrentam, como, por exemplo, a dependência econômica.
"Em muitos países, a mulher depende economicamente do homem e, muitas vezes, isso leva a uma situação em que ela tem menos possibilidades de negar a relação sexual."
Em muitos locais, é inaceitável que as mulheres digam "não" a relações sexuais não desejadas ou sem proteção.
"A pobreza junta-se com a situação de desvantagem social da mulher para criar mais vulnerabilidade", alerta Nina.
"Há o machismo, os tabus e os aspectos culturais. Por exemplo, se uma garota leva uma camisinha, ela é considerada uma mulher fácil."
Na sua avaliação, esses "padrões culturais" são difíceis de serem manejados e duram muito tempo para serem mudados, já que estão em vigor há séculos.
Há ainda a questão do tratamento, ao qual os homens têm maior acesso, assim como a distribuição de medicamentos.
O alerta para a "feminização" da Aids foi feito pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em meio às comemorações ao Dia da Mulher, em março deste ano.
Segundo a Unaids, desde 2002, o número de mulheres infectadas com HIV aumentou em todo o mundo, sem nenhuma exceção.
Na África, onde a epidemia está muito avançada, mais de 56% das pessoas infectadas são mulheres.
Sobe
Aids aumenta entre negros e pardos, diz Ministério da Saúde
Pela primeira vez, o boletim epidemiológico de Aids do Ministério da Saúde traz informações sobre a doença, segundo cor e raça, revelando que a epidemia vem crescendo entre a população negra e parda. O levantamento aponta ainda que há uma tendência de estabilização da doença entre os brancos.
De acordo com o boletim, a população branca continua sendo o maior grupo de infectados (51,35%). Negros e pardos somam 33,44% do total de casos, e os índios, apenas 0,17%.
"Essa tendência de aumento [entre negros e pardos] também está associada à transmissão heterossexual e à condição de escolaridade", acrescentou o diretor do Programa Nacional de DST/Aids, Pedro Chequer.
O boletim revela que, em 2003, 32.247 pessoas foram infectadas pelo HIV. Apenas nos primeiros seis meses de 2004, quase 14 mil novos casos foram notificados. Apesar de ainda se manterem em um patamar elevado, os dados indicam que a epidemia de Aids está em processo de estabilização.
Pedro Chequer disse que, apesar da redução de casos em alguns grupos, como usuários de drogas e homossexuais, ainda não se pode falar em controle da doença.
Homens e mulheres
Segundo o ministério da Saúde, os números da Aids entre homens demonstram a tendência de estabilização. Em 1998, foram notificados 21.056 casos, contra 19.648 em 2003. Até junho deste ano, o registro é de 8.306 casos. Essa estabilização pode ser vista principalmente na categoria de exposição homo/bissexuais.
A porcentagem de casos entre homens que fazem sexo com homens, que era de 30% em 1998, caiu para 25% em 2004. Já entre os homens da categoria heterossexual, o índice tem crescido. Nesse mesmo período, foi observado um aumento de 30% para 42%.
Entre as mulheres, por outro lado, o número de casos é o maior desde o início da epidemia. Enquanto em 1998 havia 10.566 registros, em 2003 esse número chegou a 12.599. Até junho de 2004, mais 5.538 casos já tinham sido notificados. A proporção entre homens e mulheres, que era de 16 casos em homens para cada mulher, no começo dos anos 80, atualmente é de dois para um. Esses números demonstram a importância da mobilização do Dia Mundial de Luta contra a Aids, comemorado em 1º de dezembro, que tem como tema este ano "Mulheres, meninas, HIV e Aids".
Entre os usuários de drogas injetáveis, o número de casos de Aids vem mantendo a tendência de queda observada nos últimos anos. A porcentagem de casos nessa categoria de exposição, que era de 27% em 1994 (no sexo masculino), desceu para 13% em 2004. Entre as mulheres da mesma categoria, o índice de uma década atrás era de 17%. Hoje, é de apenas 4,3%.
Já a taxa de mortalidade aponta para um quadro de estabilidade, nos últimos anos. No público masculino, o índice registrado em 2003 é o mesmo de 2001 - 8,8 mortes a cada grupo de 100 mil homens. Entre as mulheres, houve um discreto aumento: em 2001, foram 3,9 óbitos por 100 mil mulheres; em 2003, o total registrado foi de 4 mortes a cada 100 mil mulheres.
Sobe
Situação regional
Considerando a taxa de incidência da Aids (número de casos da doença por grupo de 100 mil habitantes), o crescimento da epidemia é observado em todas as regiões do país, exceto no Sudeste, onde há estabilização com tendência de queda. Entre 1998 e 2003, a taxa de incidência nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo caiu de 29,4 para 24,3. No mesmo período, o Nordeste apresentou um discreto aumento na incidência, que passou de 6,7 para 6,8.
Nas demais regiões, a taxa de incidência da Aids só aumentou, no comparativo entre 1998 e 2003. No Sul, saltou de 24,9 para 26,6 (crescimento de 6,8%). No mesmo período, o Centro Oeste viu seu índice saltar de 13,9 para 19,9 (mais de 43% de aumento). O Norte experimentou o maior crescimento (46,6%) na taxa de incidência: passou de 6,0 para 8,8 casos a cada 100 mil habitantes. A taxa de incidência deve ser mais levada em conta do que o número absoluto de casos porque revela o risco de determinada população ter a doença.
Faixa etária
No corte por idades, o boletim epidemiológico revela algumas diferenças entre os sexos. Nos homens, observa-se um certo deslocamento do aumento na taxa de incidência para a população acima de 40 anos. Os indivíduos masculinos na faixa dos 40-49 anos apresentam taxa de incidência estável: 51,0 em 1998; 50,9 em 2003. Já na faixa dos 50-59 anos registra aumento no mesmo período: a taxa passa de 25,2 para 26,4. Considerando todas as faixas etárias, a taxa geral de incidência caiu de 26,4 para 22,6 em cada grupo de 100 mil homens.
Entre 1998 e 2003, o aumento da taxa de incidência na população feminina deslocou-se para os grupos acima dos 30 anos. Nas mulheres, há crescimento da taxa de incidência em todas as faixas etárias a partir dessa idade. A exceção é entre as jovens, que demonstram discreta queda do indicador nos grupos entre 13 e 29 anos. Considerando todas as faixas etárias, a taxa geral de incidência subiu de 12,9 para 14,0 em cada grupo de 100 mil mulheres.
Aids afeta quase 38 mi de pessoas em todo o mundo
Dos 37,8 milhões de pessoas em todo o mundo afetadas pelo vírus HIV, causador da Aids, cerca de 4,9 milhões contraíram o vírus em 2004, o que representa um aumento de 12% em relação a 2003, segundo relatório anual do programa conjunto da ONU sobre o HIV (ONUAids) e da OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgado nesta terça-feira, em Genebra, na Suíça.
Após mais de 20 anos e 20 milhões de mortes desde o aparecimento do primeiro caso de Aids, em 1981, os resultados do estudo de 2004 sobre a Aids feito pa ONU é alarmante.
Na América Latina - que tem cerca de 400 milhões de habitantes - há aproximadamente 1,7 milhão de pessoas portadoras do vírus da Aids (0,43% da população).
A epidemia, segundo o relatório divulgado nesta terça-feira, estende-se por todas as regiões do Brasil, mas mostra algumas variações, segundo especialistas.
No último ano, 3,1 milhões de pessoas morreram da doença em todo o mundo.
O aspecto mais alarmante da epidemia reside precisamente no ritmo progressivo de sua propagação. O índice mais significativo corresponde ao leste da Ásia, seguida pelo leste da Europa e Ásia Central. No leste asiático, houve um aumento de 56% nos últimos dois anos, enquanto que nas outras duas regiões foi de 48%.
As mulheres são muito vulneráveis e atualmente representam quase metade dos 37,2 milhões de adultos - com idades entre 15 e 49 anos - portadores do vírus da Aids no mundo.
Focos
O Caribe é também uma das regiões mais afetadas no mundo: "A transmissão do HIV ocorre principalmente através das relações heterossexuais, embora as relações sexuais entre homens, que são muito estigmatizadas, também impulsionam a epidemia nos países caribenhos, onde a Aids passou a ser a causa principal da mortalidade em adultos com idades entre 15 e 44 anos", diz o relatório.
"Na África subsaariana, a região mais castigada, aproximadamente 60% dos adultos que vivem com o HIV, ou seja, 13,3 milhões de pessoas, são mulheres", afirmam os especialistas.
O estudo destaca que não existe uma só epidemia de Aids no mundo. "Muitas regiões e países estão experimentando diversas epidemias, algumas delas ainda nas primeiras fases”.
"À medida que aumenta o número de pessoas que contraem o vírus da Aids e vivem com a doença, cresce também o número das que precisam de tratamento anti-retroviral, assim como de cuidado para as infecções", afirmam especialistas.
Na América do Norte e na Europa, um número crescente de pessoas se infecta através de relações heterossexuais sem proteção. "Nos Estados Unidos, a Aids afeta as mulheres afro-americanas e hispânicas, não na mesma proporção, e está entre as três primeiras causas de mortalidade para as afro-americanas com idades entre 35 e 44 anos", afirma o documento.
O relatório também diz que o investimento mundial no combate a Aids triplicou, "passando de US$ 2,1 bilhões em 2001 para US$ 6,1 bilhões em 2004, e o acesso a serviços básicos de prevenção e a atenção têm aumentado de forma substancial. No entanto, a doença continua se espalhando."
Sobe
Brasil abriga um terço dos portadores de HIV da América Latina
Mais de um terço dos portadores do vírus da Aids na América Latina vivem no Brasil, indica relatório anual do ONUAids, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV, e da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Com cerca de 400 milhões de habitantes, a América Latina tem por volta de 1,7 milhão de pessoas portadoras do vírus da Aids (0,43% da população).
A epidemia, segundo o relatório divulgado nesta terça-feira, estende-se por todas as regiões do Brasil, mas mostra algumas variações, segundo especialistas.
"No começo [a Aids] afetou principalmente a homens que tinham relações sexuais com outros homens e também a usuários de drogas injetáveis, mas agora a epidemia se tornou mais heterogênea", avalia o documento. "A transmissão heterossexual é responsável atualmente por uma proporção crescente das infecções pelo HIV, e as mulheres são cada vez mais afetadas."
Segundo o ONUAids, há atualmente cerca de 610 mil mulheres portadoras do vírus da Aids na América Latina. Em 2004, cerca de 95 mil pessoas morreram na região e outras 240 mil foram infectadas pelo HIV.
Mesmo assim, o relatório aponta o Brasil como "referência" entre os países em desenvolvimento. "O governo brasileiro introduziu uma iniciativa para identificar mulheres grávidas e oferecer-lhes o teste do HIV, proporcionar serviços para prevenir a transmissão da mãe para o filho e, nos casos pertinentes, tratar as mulheres e os recém-nascidos", relata a OMS, não sem destacar a grande disseminação da doença entre mulheres de baixa renda e pouco acesso a educação.
O consumo de drogas também contribui "consideravelmente" na difusão da epidemia. "Em algumas regiões, os usuários de drogas injetáveis constituem no mínimo a metade dos casos de Aids", advertem os autores do documento. No sul do país, alertam, estas pessoas seguem correndo alto risco de infecção.
Mulheres são quase a metade dos portadores de Aids no mundo
As mulheres, mais vulneráveis do que os homens ao HIV, representam quase a metade dos 37,2 milhões de adultos infectados no mundo. Os dados são do relatório anual do programa conjunto da ONU sobre o HIV (ONUAids) e da OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgado nesta terça-feira, em Genebra, na Suíça.
Em algumas regiões como a África subsaariana, a população feminina contaminada atinge 60% dos portadores do vírus.
"As mulheres são fisicamente mais vulneráveis à infecção pelo HIV que os homens, e durante uma relação sexual é duas vezes mais provável que o homem transmita o vírus à mulher que o contrário", afirma o documento.
Desde 2002, o número de mulheres que vivem com HIV aumentou em todas as regiões. "A Ásia oriental teve o maior aumento: 56% em dois anos, enquanto que o leste da Europa e a Ásia Central seguem com 48%", informa o relatório.
O Centro Federal da Rússia declarou que em 2003, 38% dos russos portadores do HIV eram mulheres, contra apenas 24% em 2001.
"Nos Estados Unidos, a Aids afeta de maneira desproporcional as mulheres afro-americanas e latinas, e é uma das três principais causas de mortalidade das mulheres afro-americanas de 35 a 44 anos", diz o documento.
Além disso, muitas jovens são iniciadas ao sexo pela força. "De acordo com as pesquisas, 24% das meninas nas zonas rurais do Peru afirmam que sua primeira relação sexual foi forçada", diz o relatório.
Para muitas mulheres de países pobres, a estratégia preventiva baseada na abstinência, na fidelidade e na utilização de preservativos é insuficiente.
"Precisa-se, com urgência, de estratégias que sejam centralizadas na prevenção da violência, nos direitos de propriedade e sucessão, no acesso à educação básica e nas oportunidades de emprego para as mulheres e as meninas, e na investigação de microbicidas", insistem os especialistas.
Sobe
Um problema de saúde, mas também político e social
Em junho de 2005, a ONU (Organização das Nações Unidas) apresentou um relatório mostrando que a aids vem crescendo aceleradamente no mundo. A estimativa é que já há 40 milhões de portadores do vírus. O relatório indica também 4,9 milhões de novos casos e 3,1 milhões de mortes por aids em 2004. Até hoje, 75 milhões de pessoas contraíram o vírus e 20 milhões morreram. Há cerca de 14 mil novos casos da doença por dia - 95% deles em países mais pobres.
A situação é bastante grave nos países da África situados abaixo do deserto do Saara. Alguns cálculos indicam que, nos próximos vinte anos, 48 milhões de africanos poderão morrer da doença. Mas em muitos países populosos da Ásia, como China, Indonésia e ex-repúblicas soviéticas, a aids também avança.
Além de ser um problema de saúde, a aids tem efeitos sociais, econômicos e políticos severos. Será que a ciência está perdendo essa batalha?
As armas da ciência
Por mais de duzentos anos, a partir de 541, a peste bubônica - também chamada peste negra - espalhou o terror pela Europa. Mais de 40 milhões de pessoas foram vitimadas pela doença nesse período. Uma pessoa atacada pela peste geralmente não durava mais do que cinco dias.
Seis séculos depois, em 1346, a peste retornou ao continente europeu, fez mais de 25 milhões de vítimas e continuou seu ataque em surtos sucessivos até o início do século XIX. Parecia que o fim do mundo tinha chegado. Não se sabia o que causava a peste, como era transmitida e como podia ser tratada. Houve até aqueles que achavam que tudo se devia a uma conjunção de planetas!
Graças ao desenvolvimento da ciência, hoje sabemos a causa da peste (ela é provocada por uma bactéria, a Pasteurella pestis), seu modo de transmissão (é levada por pulgas do rato), sua prevenção (boas condições de higiene e moradia) e sua cura (com antibióticos).
No caso da aids, em apenas dois anos foi identificado o agente causador e seu modo de transmissão. Esse conhecimento nos dá até o poder de erradicar a aids do planeta, por meio do controle do sangue, dos testes de detecção do vírus, do uso de seringas descartáveis e de relações sexuais com camisinha.
Desde o início da epidemia, em 1981, já foram produzidos cerca de dezenas de medicamentos contra a aids, fora os inúmeros medicamentos contra as infecções oportunistas que acometem os doentes. Recentemente, têm sido desenvolvidos novos tipos de medicamentos anti-aids, os inibidores de fusão, que se ligam ao vírus e o impedem de penetrar nas células. Também têm sido pesquisados medicamentos que se ligam às proteínas da membrana das células, que servem de porta de entrada para o vírus.
Novos medicamentos anti-aids também conseguem controlar a transmissão do vírus da mãe para o filho durante a gestação (esse tipo de transmissão é responsável por cerca de 80% dos casos de aids no mundo).
O desenvolvimento de uma vacina é muito difícil, principalmente pelas mutações rápidas que sofre o vírus. Mas talvez não seja impossível, uma vez que há pessoas que têm o vírus há mais de quinze anos e, mesmo sem tomar remédios, não desenvolvem a doença. Essas pessoas representam cerca de 5% dos infectados e, talvez devido aos seus genes, o vírus da aids não consegue invadir suas células. Com isso, o sistema imune não é atacado e eles não desenvolvem a doença. O estudo dessas pessoas pode ser a chave para o desenvolvimento de uma vacina para a aids.
Há também vacinas terapêuticas em testes - que não previnem a doença, mas reforçam a capacidade de defesa do sistema imune -, que seriam utilizadas em pessoas infectadas que não apresentam os sintomas da aids.
Em resumo, medicamentos mais eficazes e informações sobre as formas de transmissão e prevenção fazem com que a aids seja uma doença crônica: no início da epidemia, a expectativa de vida de um soropositivo era de alguns meses; atualmente, eles podem viver por mais de dez anos sem desenvolver a aids. A causa são os novos medicamentos. No entanto, essa situação vale apenas para as populações que têm acesso a esses recursos.
Aids: um problema político e social
A vitória contra doenças como a peste e a aids não depende apenas da pesquisa científica, mas da melhoria das condições materiais e do nível de educação das populações - inclusive da educação sexual. Não é por acaso que na África, uma das regiões mais pobres do planeta, cerca de 60% das pessoas estão infectadas. Não é a ciência que está perdendo a batalha, mas sim as políticas econômicas e sociais dos governos e de engajamento da sociedade civil no problema.
Assim, embora os testes indiquem se um sangue destinado à transfusão está contaminado, esse controle é bem menos eficaz nos países mais pobres: a Organização Mundial de Saúde afirma que apenas 30% dos países têm um serviço bem organizado de transfusão sanguínea. Só 12% das pessoas que precisam de tratamento o recebem, e os medicamentos ainda custam muito caro. A Organização Mundial do Comércio reconhece o direito de países pobres de quebrar patentes (produzindo o medicamento sem pagar royalties ao laboratório) em emergências sanitárias - e a aids deveria ser considerada como tal. Os laboratórios argumentam que são gastas grandes somas de dinheiro para produzir um medicamento e que a quebra de patentes poderia desestimular a pesquisa em novos medicamentos. No caso da aids, essa pesquisa é particularmente importante devido à velocidade com que surgem variedades resistentes do vírus.
Muitos cientistas argumentam que os países ricos deveriam financiar os medicamentos nos países pobres, não apenas por motivos humanitários, mas também por interesses próprios: em um mundo globalizado, epidemias têm grande chance de evoluir com rapidez para pandemias.
O relatório da ONU indica que é possível interromper a expansão da aids e cita o programa brasileiro de combate à aids como o mais bem-sucedido entre os países em desenvolvimento. (Camboja e Tailândia também progrediram bastante.) No Brasil, dos 600 mil portadores do HIV, 160 mil recebem o medicamento do governo. Os gastos com esse atendimento, em 2004, foram de 260 milhões de dólares.
Cerca de 8 bilhões de dólares devem estar disponíveis em 2005 para programas em 135 países, mas ainda é preciso destinar mais recursos para os países mais afetados pela doença. Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), em 2008 os países precisariam aplicar cerca de 22 bilhões de dólares - quase o triplo do que foi investido em 2004.
Portanto, o controle da aids deve fazer parte de uma série de medidas para erradicar a pobreza, melhorando as condições de saneamento básico, a produção de alimentos e incentivando o desenvolvimento econômico. No caso da aids, é fundamental também investir na educação, ensinando métodos de prevenção da doença, combatendo tabus e opressão sexual contra a mulher, ou seja, lutando pela maior igualdade de poder entre mulheres e homens. Finalmente, é preciso também formar técnicos capazes de trabalhar na assistência à doença e desenvolver a produção nacional de matérias-primas e medicamentos anti-aids. (Setembro de 2005)
Sobe
|