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OS CAMINHOS PARA O MICROCRÉDITO
Metade da população economicamente ativa no Brasil trabalha em empresas com até cinco empregados, classificadas como microempresas e, ¼ desse contingente encontra-se em atividades informais. Foi com base nesses dados que surgiram as instituições de microcrédito, constituídas sob forma de pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos. Ganhos operacionais são inteiramente revertidos para a instituição, não havendo distribuição de lucro, mas sim captação suficiente para sua sustentabilidade.
Com objetivo de ampliar as oportunidades de acesso ao crédito para os pequenos empreendimentos, principalmente os informais, o Sebrae criou o PCONE- Programa de Crédito Orientado para Novos Empreendedores. O Programa busca orientar o pequeno empresário no momento da elaboração do plano de negócio, fornecendo assessoria técnica e análise do perfil empreendedor.
O microcrédito foi criado como uma forma de concessão de crédito à população que possui um pequeno negócio e deseja ampliar ou melhorar sua produção ou serviço. Esta iniciativa adota procedimentos que não são os utilizados pelo sistema tradicional de crédito. A flexibilidade quanto a apresentação de garantias e a burocracia quase inexistente são uma das principais características que diferenciam o microcrédito do crédito comum.
Vale lembrar que o crédito é fornecido somente para empreendedores informais e microempresas sem acesso ao sistema financeiro tradicional. O crédito é destinado a produção ou investimentos e concedido a partir de uma orientação específica.
Quem é o Agente de Crédito
Responsável por divulgar, assessorar e acompanhar a operação de crédito, o agente de crédito é treinado para atuar durante todo o processo de concessão de crédito ao empresário, mantendo sempre um contato próximo e contínuo, buscando avaliar potencialidades e características do microempreendimento. Essa ação busca reduzir a taxa de inadimplência, registrando sucesso em muitos casos.
O trabalho do agente de crédito começa com uma entrevista ao interessado pelo microcrédito, diferentemente dos procedimentos convencionais de empréstimo. Neste caso o agente vai até o local do empreendimento que, em muitas vezes, é a própria moradia do cliente.
No diálogo com o cliente, o agente de crédito faz o diagnóstico da situação financeira e dos aspectos gerenciais do negócio, dimensionando a viabilidade do crédito a ser concedido.
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Avaliação do Crédito
De um modo geral, para empréstimos de valores muito baixos essa análise é quantitativa e simplificada, com destaque para aspectos como o perfil do empreendedor, o plano de investimento e o fluxo de caixa.
O agente está envolvido em todo processo de liberação e recebimento do crédito. Nas práticas bancárias tradicionais, o cliente vai até o agente de crédito e não o contrário. Assim, estabelece-se uma relação que deve pautar-se em contatos pessoais e na aplicação de vários instrumentos de conhecimento e análise da atividade econômica que esta sendo estimulada.
Um acordo firmado entre o Banco do Brasil e Sebrae-ES, Findes e Fecomércio, visa a concessão de crédito pelo Banco do Brasil SA, às micro e pequenas empresas cooperadas/associadas da Findes e Fecomércio, através das linhas do Cooperfat e do Proger.
Além do Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o Bndes oferecem crédito a pessoa física ou jurídica, recém formados, autônomos, entre outros com condições específicas para cada cliente.
A que organização pertence o microcrédito?
Fique atento a origem da entidade que está fornecendo o crédito, pois elas possuem variações na taxa de juros. Geralmente são criadas e apoiadas por ONGs - Organizações Não-Governamentais, SCMS - Sociedades de Crédito ao Microempreendedor, OSCIPs - Organizações de Sociedade Civil de Interesse Público e bancos comerciais que criam setores específicos.
Essas entidades tem como objetivo enfrentar a realidade nacional em uma medida prática e eficaz para a melhoria das condições sociais, sem assistencialismo ou dependência exclusiva de subsídios públicos.
Os juros
Os juros cobrados pela maioria das instituições que operam com crédito popular variam em torno de 3,7% ao mês. No Espírito Santo, apenas os municípios de Ecoporanga, Cachoeiro de Itapemirim, Grande Vitória e Colatina possuem ou estão em fase final de implantação das operadoras de crédito especializadas no microcrédito. Todas essas entidades possuem o apoio do Sebrae durante os dois primeiros anos. A ajuda inclui cursos de capacitação de crédito aos funcionários, software, consultoria técnica e ajuda de custos.
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Valor do empréstimo
O valor do crédito varia de acordo com o projeto do cliente. Em média, o empréstimo é fornecido apenas ao cliente que está atuando no negócio há, no mínimo, seis meses. O valor em média liberado para o 1º empréstimo é de R$1.200,00, podendo chegar a R$10.000,00, podendo ser parcelados em até seis vezes. A pontualidade no pagamento das parcelas é de fundamental importância para aquisição de novos empréstimos.
Além do parcelamento do crédito, o cliente tem direito a empréstimos pré-aprovados para pagamentos a curto prazo. Exemplificando, um comerciante que necessita de R$ 500,00 numa sexta-feira para comprar mercadorias que pretende vender num evento de final de semana, poderá pagá-lo na segunda-feira, com o rendimento obtido no final de semana.
De acordo com dados do Sebrae-ES, o microcrédito tem apresentado grande contribuição para o crescimento de pequenas empresas no Estado. Os investimentos estão inseridos em diversos setores empresariais, entre eles: papelarias, produção de cogumelos (para fins medicinais), lojas de surf, confecções, salões de beleza, transporte escolar, restaurantes, marcenaria, fábrica de cosméticos, web café e pousadas.
Para o empresário que deseja pegar um empréstimo, aí vão algumas dicas:
Pesquise, entre as instituições de sua região, a que oferece menor taxa de juros e melhor prazo de pagamento.
Lembre-se: Além do crédito, você precisa de orientação quanto a gestão do seu empreendimento. Procure orientação ou cursos de capacitação.
Tente encontrar outros empreendedores da região onde vive para conseguir um aval solidário, pois isso facilita na liberação do empréstimo.
Procure saber com quem já usou os recursos, sobre a idoneidade e os procedimentos da instituição com a qual esta negociando.
Em muitos casos uma visão técnica detecta alternativas que podem reduzir o valor a ser tomado, diminuindo a dívida. Procure o agente de crédito e peça-o que avalie se a quantia pretendida será realmente necessária.
Leia com atenção as regras do contrato e tire todas as suas dúvidas com os técnicos da instituição, principalmente quanto ao prazo, taxas de juros e condições da dívida a ser contraída.
Não esqueça: O crédito é liberado para quem não possui pendência comercial na praça, morador na cidade há pelo menos dois anos e atuante no ramo para qual pleiteia o empréstimo por, no mínimo, seis meses.
Evite pagar prestações com atraso, pois, além de pagar juros mais elevados, o cliente inadimplente perde a chance de conseguir crédito futuros. Fique atento: pagamento em dia significa descontos no fim do contrato.
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